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Já
a algum tempo venho pensando em como todos esses acontecimentos
que temos presenciado nos últimos anos (tsunamis,
guerras santas, atos terroristas, etc) vêm nos
forçando a encarar velhos conceitos. Está
ficando cada vez mais difícil ignorar que algo
de grandioso está acontecendo no mundo. Nada
nos comove e nos assusta mais que a idéia da
fragilidade da vida, do quanto o sofrimento e a morte
parecem estar à espreita, nos observando por
trás da cortina da sala. E é nesses momentos
de incerteza e de medo que começamos a refletir
sobre o que está errado no mundo - na religião,
na política, no interior do homem.
Ouvir as estrelas pode ajudar um pouco na compreensão
do que anda acontecendo. Vejamos:
Estamos
em plena passagem de Plutão pelo signo de Sagitário,
evento celeste que deverá durar até por
volta de 2008. Na mitologia, Plutão é
o deus dos infernos, o encarregado das almas dos mortos,
guardião dos segredos das profundezas. Diante
deste deus as máscaras caem, os homens se despojam
daquilo que não serve mais e se tornam aquilo
que são. Neste processo os aspectos mais sombrios
da personalidade acabam por emergir, e não é
um caminho fácil porque muito daquilo que se
esforça para esconder acaba vindo à luz,
como monstros difíceis de domar. E é neste
caminho doloroso, de perdas em vários níveis,
que os homens têm a oportunidade de encontrarem
o verdadeiro sentido de sua existência e de se
decidirem a trabalhar por ela, reconstruindo-se. É
o momento de escolher entre o mal ou o bem, entre o
sofrimento ou o alívio. Onde Plutão passa,
é hora de destruir o que não serve mais,
a fim de dar lugar a um novo comportamento.
A palavra de ordem de Plutão é transformação.
E
é justamente agora, que Plutão transita
por Sagitário, signo da ética, da filosofia
e da religião, que sentimos que estas mesmas
estruturas de pensamento estão ficando seriamente
abaladas. Me pergunto até onde as religiões
tradicionais conseguirão segurar a enxurrada
de fatos (especialmente na ciência) que apontam
para novas verdades. Até onde os sistemas políticos
e filosóficos conseguirão explicar e administrar
o mundo novo que emerge, gritando a plenos pulmões
(inclusive através da dor e da destruição)
que é necessária e urgente uma nova postura
diante da vida. Não há mais lugar para
velhos comportamentos, velhas idéias. É
preciso enfrentar os dogmas, reformar as leis, libertar
o pensamento.
O
centauro, ser mitológico metade homem, metade
cavalo, símbolo do signo de Sagitário,
e que personificava as forças mais grosseiras
da natureza, pode nos dar mais uma pista. Se pensarmos
em Quíron, centauro que se diferenciou dos demais,
naturalmente selvagens e irrefletidos, por suas qualidades
de sabedoria, reflexão e dom de cura (Quíron
se tornou mestre de muitos heróis da mitologia,
como Hércules e Édipo), não fica
difícil pensar que é hora de deixarmos
para trás a "animalidade" do cavalo
e nos aplicarmos mais no desenvolvimento da parte humana,
com tudo o que isso implica - revelações,
mortes, alegrias, dor, descobertas. Não há
outro caminho se quisermos partilhar positivamente das
mudanças que fatalmente virão, e que já
podem ser vislumbradas por aqueles que têm "olhos
de ver".
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Patricia
Ariel é astróloga e estudiosa
de tarô. Artista plástica (ilustradora
e designer gráfico), tem formação
em Arte-educação/História
da Arte pela UERJ.
p.ariel@baixadafacil.com.br
website:
www.solstitium.org
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