|
Os limites da Cidade estendem-se aos Municípios de Miguel
Pereira, Petrópolis, Magé, Rio de Janeiro, São
João de Meriti e Nova Iguaçu. A hidrografia pode ser
resumida em quatro bacias principais: Iguaçu, Meriti, Sarapuí
e Estrela. O clima é quente e úmido, com chuvas abundantes
na baixada litorânea, modificando-se ao norte do Município,
próximo da Serra do Mar, onde encontramos temperaturas mais
amenas.
O parque industrial de Duque de Caxias é significativo,
superando as atividades agropecuárias, coisa pouco comum
na maioria dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro. Para
se ter uma idéia, basta lembrar que, entre 1960 e 1970, a
participação do Município de Duque de Caxias,
no valor da transformação industrial da Região
Metropolitana do Rio de Janeiro, aumentou de 4,4% para 10,8%.
O centro urbano poderia ser comparado a um grande mercado, tal
o volume de seu comércio. As ruas sempre congestionadas,
refletem a grandeza e a importância que o comércio
adquiriu. Mesmo aos domingos, o comércio não pára,
pois, próximo à Praça Roberto Silveira, realiza-se
uma grande feira-livre que, outrora, muito lembrava as feiras do
Nordeste.
A agropecuária é de pouca expressão econômica.
A maioria dos estabelecimentos agrícolas estão localizados
no 3º e 4º Distritos. A mandioca, a cana e a banana são
os principais produtos cultivados.
O povoamento da região data do século XVI, quando
são doadas sesmarias da Capitania do Rio de Janeiro. Um dos
agraciados foi Cristóvão Monteiro que recebeu terras
às margens do Iguaçu, parte das quais, daria origem
a Duque de Caxias.
A atividade econômica que ensejou a ocupação
do local foi a de cultivo da cana-de-açúcar. O milho,
o feijão e o arroz tornaram-se, também, importantes
produtos auxiliares durante esse período.
O ciclo da mineração, com o deslocamento do eixo
econômico do Nordeste para o centro-sul, daria à região
uma de suas funções mais expressivas, a de ponto obrigatório
de passagem daqueles que se dirigiam para a região das minas
ou de lá regressavam.
Sendo os "caminhos de terra firme" poucos, precários
e perigosos, nada mais natural que o transporte fosse feito através
dos rios, onde estes existissem. Aqui, os rios não faltavam
e, integrados com a Baía da Guanabara, faziam do local um
ponto de união entre esta e os caminhos que subiam a serra
em direção ao interior. O Porto da Estrela foi o marco
mais importante desse período de nossa história. À
sua volta, cresceu um arraial que no século XIX foi transformado
em Município.
Apesar da decadência da mineração, a região
manteve-se ainda "como ponto de descanso e abastecimento de
tropeiros, como local de transbordo e trânsito de mercadorias".
Até o século XIX, o progresso local foi notável.
Entretanto, a impiedosa devastação das matas trouxe,
como resultado, a obstrução dos rios e consequente
transbordamento, o que favoreceu a formação de pântanos.
Das águas paradas e poluídas surgem mosquitos transmissores
de terríveis febres.
Muitos fogem do local que, praticamente fica inabitável.
As terras salubres e férteis outrora, cobrem-se agora, de
vegetação própria dos mangues. Em 1850, a situação
é de verdadeira calamidade, pois, as epidemias grassam, brigando
senhores de engenho a fugir para locais mais seguros. As propriedades
vão sendo abandonadas. A situação era de grande
penúria; e assim permaneceria ainda por algumas décadas.
O "coléra morbus", que já atingira outros
portos do país, agora também manifestava-se em Estrela.
Estava completo o quadro de destruição daquele Município
que começara a entrar em agonia com a inauguração
de nossa primeira estrada de ferro, em 1854.
Essa era a situação da Baixada Fluminense no meado
do século XIX.
A abolição da escravatura foi outro profundo golpe
no progresso da região. Agora, a Baixada Fluminense via-se
privada de braços para as tarefas agrícolas e de infra-estrutura
que mantinham a salubridade local.
Nessa altura, Meriti representava apenas um porto de escoamento
de poucos produtos, dentre os quais a lenha e o carvão vegetal.
A recuperação de Meriti começa a insinuar-se
com o advento da estrada de ferro, a mesma estrada de ferro que
levara tantas localidades ao acaso - Estrela, Vila de Iguaçu,
Porto das Caixas. Sob a égide da maria-fumaça, de
silvo estridente e penacho de fumo negro, tudo se modificou. As
hidrovias com seus barcos, portos e vilas, estavam com seus dias
contados. Agora, a ferrovia, obedecendo à lógica do
progresso, ditava novos traçados nos caminhos, fazendo surgir
à volta de suas estações, povoados que se transformariam
em populosas cidades. Quando a ferrovia atinge o vale de Meriti,
a região começa a sofrer os efeitos da expansão
urbana da Cidade do Rio de Janeiro. Com a inauguração
da "The Rio de Janeiro Northern Railway", em 23 de Abril
de 1886, ficamos definitivamente ligados ao antigo Distrito Federal.
Era o progresso que novamente avizinhava. Entretanto, apesar dessa
"insinuada recuperação" que a ferrovia trouxera,
a Baixada continuava sofrendo com a falta de saneamento, fator de
estancamento de seu progresso.
Durante os primeiros anos da República, foram tomadas algumas
medidas para solucionar o problema do saneamento, entretanto, elas
não chegaram a produzir os efeitos esperados, devido à
descontinuidade dos programas e à precariedade de recursos
materiais. Foi no Governo de Nilo Peçanha que esboçou-se
uma ação mais consistente relação ao
saneamento da Baixada.
O Serviço de Profilaxia Rural, criado no Governo Delfim
Moreira (1918/1919), foi mais um passo para o controle das endemias
na região. Mas, apesar de todos esses esforços, o
local continuava sendo um grave foco de malária. Foi no Governo
de Getúlio Vargas que medidas efetivas foram tomadas para
a solução do problema. O programa de abertura de canais,
dragagem e retificação dos grandes rios, realizado
por Hildebrando de Góis, fez com que os pântanos desaparecessem.
Era o problema sendo acabado em suas causas.
Finalmente, o Serviço Nacional de Malária, instalado
em 1938, faria retroceder essa perigosa endemia, abrindo caminho
para o total saneamento de "Caxias", na época,
8º Distrito de Iguaçu.
Lembra a historiadora Dalva Lazaroni que: "Para se ter uma
idéia do estrago provocado pela doença, basta verificar
que, por volta de 1795, nossa população chegou a ser
estimada em número superior a 17.022 habitantes. Nos anos
seguintes, de comprovada prosperidade, crescemos muito mais. Pois
bem já no fim do século XIX, estávamos reduzidos
a menos de 400 moradores."
Fiel ao "slogan": "Governar é abrir estradas",
Washington Luís inaugura em 28 de Agosto de 1928, a Estrada
Rio-Petrópolis que, atravessando a cidade, seria um importantíssimo
fator de desenvolvimento da mesma.
Mais dois acontecimentos, também de grande significação
para o Município, aconteceram nessa década: a instalação
de nossa primeira rede elétrica, em 1924 e a fundação
da Escola Proletária Meriti, primeira no Brasil a aplicar
os métodos da "Escola Nova". A Escola Proletária
Meriti, obedecendo aos métodos montessorianos, mereceu elogios
dos mais eminentes educadores e intelectuais do país.
Tais eventos só poderiam favorecer à região,
proporcionando um intenso povoamento a partir daí. As terras
da Baixada serviam, agora, para aliviar as pressões demográficas
da Cidade do Rio de Janeiro, já prenunciadas no "Bota
Abaixo" do Prefeito Pereira Passos. Os dados estatísticos
revelam que em 1910, a população era de 800 pessoas,
passando em 1920, para 2920.
O rápido crescimento populacional provocou o fracionamento
e loteamento das antigas propriedades rurais, naquele momento, improdutivas.
O primeiro loteamento legalizado de que se tem notícia é
o Parque Artur Goulart, aprovado em 1914, junto à estação
de Duque de Caxias.
Mas nem sempre a aquisição de terras foi pacífica
e legal. A luta entre proprietários, grileiros e posseiros,
algumas vezes assumiu contornos dramáticos, inclusive com
mortes.
O grande desenvolvimento pelo qual passava Meriti levou o Deputado
Federal Dr. Manoel Reis a propor a criação do Distrito
de Caxias. Dessa forma, através do Decreto Estadual 2559
de 14 de março de 1931, o Interventor Federal Plínio
Casado elevou o local a 8º Distrito de Iguaçu.
Fato também digno de nota, acontecido na década de
30, foi a fundação da União Popular Caxiense
(UPC). A UPC foi a mais importante das associações
de Duque de Caxias, pois serviu de célula mater das demais
entidades surgidas em nosso Município. Em sua fundação,
teve importante papel o jornalista Paulino Batista da Silva que,
inclusive, franqueou sua residência para a primeira reunião,
isso em 1933. Embora o nome possa dar idéia de que era uma
organização surgida da comunidade, tal não
se dera. A UPC foi consequência natural do surgimento da consciência
da emergente elite local, diante de seus problemas. Tanto assim
que, a Associação Comercial de Caxias seria fundada
dentro da UPC, em 1937.
Também dessa década é a inauguração
da primeira empresa de ônibus. Fazia ele as linhas Caxias
- Penha e Centro - Parque Lafayete (1932). A fundação
do Belém Futebol Clube (1935), do jornal "A Voz do Povo
de Caxias" (1934), da Igreja Santo Antônio (1939), são
marcos importantes de uma década das mais profícuas
para o Município. Tudo leva a crer que o "espírito"
que animara a Revolução de 30, agora manifestava-se
- guardadas as devidas proporções - no Distrito de
Caxias.
Os anos 40 encontrar o Distrito com uma população
que já atingia a casa dos 100.000 habitantes. Nessa altura,
já apresentávamos a característica de "dormitório",
pois, a população concentrava no Distrito Federal,
sua atividade profissional.
Prenunciando a grande industrialização que surgiria
alguns anos mais tarde, tem início, em 1940 a construção
da Fábrica Nacional de Motores. Inicialmente projetada para
produzir motores de aviões, seria, mais tarde, transformada
em Sociedade Anônima, passando a fabricar um caminhão
pesado, e que por suas características de robustez e economia,
ficaria famoso. O "feneme", até a década
de 60, rodou quase sem concorrentes pelas estradas acidentadas da
época. Apesar de feio e lento, o caminhão gozou de
merecido prestígio junto aos brasileiros. Em 1968, a União
transfere a Fábrica Nacional de Motores para a iniciativa
privada.
Embora progredindo velozmente, e com uma população
que já ultrapassava a casa dos 100.000 habitantes, "Caxias"
não dispunha da maioria dos serviços que o Poder Público
deve prestar. O Governo Municipal instalado em Nova Iguaçu,
mostrava-se impotente para satisfazer às menores necessidades
do Distrito. A presença do Governo Municipal era notada apenas
através da coleta dos impostos. Dessa forma, a emancipação
política ia, aos poucos, seduzindo a elite local. Em 25 de
julho de 1940, uma comissão formada por Silvio Goulart, Rufino
Gomes Júnior, Joaquim Batista Linhares, José Basílio
da Silva, Luiz Antônio Félix, Amadeu Lanzelotte, Antônio
Moreira de Carvalho, Mário Pina Cabral, Abílio Teixeira
de Aguiar, Ramiro Gonçalves e Costa Maia, encaminha ao Interventor
Federal do Estado do Rio de Janeiro, Ernani do Amaral Peixoto, um
memorial, expondo as possibilidades do Distrito de Caxias emancipar-se
de Nova Iguaçu. O documento foi considerado impertinente
e inoportuno, sendo seus autores, punidos. Ficara adiado o sonho
da emancipação. Entretanto, três anos depois,
isto é, em 31/12/1943, através do Decreto nº
1056, foi criado o Município de Duque de Caxias. Em consequência
desse ato do Interventor Federal, é nomeado o contabilista
Homero Lara para responder pelo expediente da Prefeitura. Ainda
nesse dia, é criada a Comarca, sendo o Dr. Miguel Pinaud
seu primeiro juiz.
Até 1947, os Prefeitos de Duque de caxias foram nomeados
pelo Interventor Federal. Gastão Glicério de Gouveia
Reis, foi o primeiro Prefeito eleito por voto popular, tendo seu
governo início em 28/09/1947 e término 28/12/1950.
A Câmara foi instalada em 23/10/1947 e os primeiros Vereadores
também foram eleitos no mesmo processo eleitoral em que saiu
vitorioso Gastão Reis.
>No alvorecer dos anos 60, a Cidade já possui um ativo comércio
e um parque industrial que, com a instalação da Refinaria
Duque de Caxias (REDUC), se tornaria num dos mais importantes do
país.
Mas, apesar de tudo isso, sofríamos, ainda, com agudos e
crônicos problemas: o abastecimento de água era um
deles. O problema aumentava na medida em que também aumentava
a população e, àquela altura, a população
atingira a casa dos 243.619 habitantes. No Governo Roberto Silveira
(1959/1961), foram instalados equipamentos que permitiram canalizar
água para quase todo o Município. Ficou célebre
a frase do então Governador: "Duque de Caxias não
passará outro 25 de agosto sem água". Dito e
feito. A água que servira de trampolim para a eleição
de tantos políticos oportunistas, agora jorrava das torneiras,
encerrando a carreira de muitos deles.
Na década de 70, Duque de Caxias tornou-se "Área
de Segurança Nacional", só recuperando sua autonomia,
efetivamente, com as eleições de 15/11/1985. Nelas,
sai vitorioso, Juberlan Barros de Oliveira que governaria de 01/01/1986
a 31/12/1988.
A Cidade cresceu muito, em nada lembrando a velha estaçãozinha
ferroviária, cercada de meia dúzia de casebres. Suas
ruas sempre congestionadas, revelam a desordem de um progresso que
nada poupa. Nesta Cidade, as transformações são
rápidas. A cada momento derruba-se, aqui e ali, uma vetusta
residência que dará lugar a um novo edifício
de apartamentos, talvez uma lanchonete ou (quem sabe?) uma outra
agência bancária.
Da velha Meriti só restou "um retrato na parede". |