Cidadania e Politização | 13 de Outubro de 2011 - 21:28

A força da mulher

Caros leitores,

Me sinto honrada de ter sido convidada para somar neste grande portal, Baixada Fácil, assim como fazer parte deste grupo de colunistas, formado por pessoas tão renomadas. Sendo assim, em meu primeiro artigo, não posso deixar de escrever em prol das mulheres.

Devemos considerar que nós, mulheres, estamos num momento de enormes possibilidades de participação e destaque. Temos a primeira mulher presidente do Brasil, Dilma Roussef, tendo que ressaltar a composição de seus ministérios, compostos, em sua maioria, por mulheres. Estamos sendo vistas para além do antigo estereótipo de beleza e sensualidade. Palavras como competência, dedicação, ética, resultado, compromisso, espírito público, atributos necessários à pessoa pública, são vistos como pertencentes ao vocabulário e formação política das mulheres atuantes na sociedade. E a nossa legislação (embora precise de avanços) favorece a participação feminina na política. O espaço está aberto e é o momento dele ser ocupado. A mulher tem muito a contribuir com a sua garra de vencer e de se manter forte quando aparecem os maiores desafios da vida. As qualidades de pessoa frágil, indefesa e submissa não pertencem mais a nós. Aliás, nunca pertenceram. Qualificaram-nos desta maneira, a qual sempre lutamos contra. Somos atualmente chefe de lar, na maior parte dos lares brasileiros, e ao mesmo tempo desempenhamos o papel historicamente destinado aos homens que é ser o provedor, o sustento da casa. Tarefa árdua e de grande responsabilidade que nós já estamos acostumadas a ter. Só uma pessoa forte é capaz de fazer tudo isso e ainda se manter bonita e vaidosa. Nós, mulheres, devemos reconhecer: temos uma percepção diferente sobre a realidade. É a sensibilidade aliada à objetividade, prioritária para minimizar os problemas relacionados à falta dos direitos e garantias fundamentais do cidadão. O mundo precisa de mais mulheres na política se quiser ser mais justo, igualitário e sustentável.

Mesmo assim, ainda é grande o nosso desafio. Muitas de nós ainda sofrem os diversos tipos de violência. A violência contra a mulher tem raízes profundas que estão situadas ao longo da história, sendo, portanto de difícil desconstrução. No Brasil, o início da década de 80 foi marcado pela forte mobilização dos sujeitos do sexo feminino em torno da temática da violência contra a mulher. Sua articulação em movimentos próprios, somada a uma intensa busca por parcerias com o Estado, para a resolução desta problemática, resultou em uma série de conquistas ao longo dos anos. A mais recente é a aprovação da Lei nº 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que apresenta uma estrutura adequada e específica para atender a complexidade do fenômeno da violência contra as mulheres ao prever um conjunto de políticas públicas, mecanismos de prevenção e punição, voltados para a garantia dos Direitos Humanos e da proteção da mulher vítima de agressão doméstica e familiar. A legislação avançou, porém, a aplicação e a estrutura para a defesa efetiva dos direitos da mulher estão muito longe do ideal, ordenamento jurídico precisa de vigência social, isto é, ser aceito e aplicado pelos membros da sociedade. Nós sabemos que a desconstrução das redes que tecem a violência contra a mulher ainda levará muito tempo. Porém, não seria utópico acreditar em sua solução. O caminho histórico construído pode ser refeito em outra perspectiva.

Por tudo isso, que eu espero, torço, luto, e acredito ansiosamente por transformações do cenário político. O Brasil que queremos, é um país sem violência. É um país que tenha qualidade e emprego digno para todos. É um país em que as mulheres e os homens têm as mesmas oportunidades e privilégios, contribuindo juntos para o desenvolvimento deste nosso País.

Parabéns aos brasileiros que marcharam contra a corrupção no último dia 29/09/2011 e 12/10/2011. Diga não a corrupção!!! Mais saúde e qualidade de vida ao povo brasileiro! Isso demonstra o exercício de cidadania e a força de todos nós!

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Sobre o autor

Marta Dantas é professora, advogada, pós-graduada em Direito Civil, Direito do trabalho e Processo do Trabalho, Diretora Jurídica do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Duque de Caxias, Vice-Presidente da OAB/Duque de Caxias, Presidente - Fundadora da MRM - Mulheres Respeitam Mulheres, e Presidente do PRTB - Mulher do Estado do Rio de Janeiro. Marta escreve, periodicamente, para o jornal O Independente.

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