Ritmos sem fronteiras | 11 de Dezembro de 2011 - 14:11

Atabaque ou tabaque

Instrumento afro-brasileiro de madeira ripada, afinado por cunha, utilizado em rituais de candomblé e na macumba; inserido também no jogo de capoeira em todo o Brasil. O maior, denominado “Rum”, que é tocado pelo Aláagbê na Nação Ketu, é responsável em definir o "pé da dança" nos toques, sempre acompanhado pela marcação do “Rumpi” (médio) e o “Lé” (pequeno). Há registro de que o nome seja de origem árabe “at-tabaq” (prato). Segundo Câmara Cascudo, a origem do nome é Persa (tablak). Tambor cilíndrico quase cônico, com a boca coberta de couro de boi ou bode. No candomblé de Nação Bantu e Jeje-Nagô é tocado com as mãos e na Nação Ketu (iorubá: Kêtu) na Bahia é tocado com duas baquetas e às vezes, com uma das mãos e com a outra, com uma baqueta chamada de “aguidavi”. Muito usado no samba, no partido-alto e em blocos afros, entre outros diferentes ritmos brasileiros. Para a religião do candomblé é considerado um instrumento sagrado, com a função de convocar os Orixás. Na Nação Ketu, os “Tambores” são chamados de “Ilubatá” ou “Ilú”. Na Nação Banto são chamados “Ngoma”, mas no geral são conhecidos por “Rum”, “Rumpi” e “Lé”. No candomblé é especialmente tocado pelos Alagbê (Nação Ketu), xicarangoma (Nações Angola e Congo) e Runtó (Nação Jeje), responsável pelo Rum (grave o maior) e pelos “ogans” (tocadores) nos atabaques menores sob o seu comando. Existem diferentes formas de tensão da pele para se obter uma boa afinação. Nos terreiros de Nação Keto (ou Ketu) e Jeje a pele é esticada através de cravilhas no corpo do instrumento; na Nação Bantu (angola-conguense) a pele é esticada por cordas e cunhas de madeira.


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Sobre o autor

Reppolho é percussionista e pesquisador. Ao longo de sua carreira, atuou, em shows e gravações, com artistas como Johnny Alf, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Gal Costa, João Bosco, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Tim Maia, Baby do Brasil, Elba Ramalho, Nana Caymmi, Wanderléia, Robertinho do Recife, As Frenéticas, Blitz, Elza Soares, Deborah Blando, entre outros. Em 1984, fez parte, como percussionista, da trilha sonora do filme “Quilombo”, de Cacá Diegues, composta por Gilberto Gil. Em 1998, foi contemplado com um "Disco de Ouro" pela autoria da composição “Unicamente” (c/ Débora Blando, A Levin, C. M. Celli, G.Grodt e Batista) interpretada pela própria Deborah Blando em seu CD "Unicamente" e incluída na trilha sonora da novela "A Indomada", da Rede Globo. Este ano, o músico vai lançar o livro “Dicionário Ilustrado de Ritmos & Instrumentos de Percussão”.

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