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  Conexão Carioca 1
Edição: 1999
Faixas: 17
Tempo total: 0:63:53
Produção: Euclides Amaral e Paulo Renato
  Conexão Carioca 2
Edição: 2000
Faixas: 17
Tempo total:0: 65:18
Produção: Euclides Amaral
  Conexão Carioca 3
Edição: 2002
Faixas: 18
Tempo total:0: 63:53
Edição: 2003
Faixas: 18
Tempo total: 1:06:00
Produção: Euclides Amaral
Links:
Marko Andrade
Paulo Renato
Baixada Fácil
Arte e Fato
Dicionário Cravo Albin
 

ARTISTAS/RELEASES

ANESCARZINHO DO SALGUEIRO
(Anescar Pereira Filho) 4/7/1929 - Rio de Janeiro, RJ. 22/2/2000 - Rio de Janeiro, RJ.

DADOS BIOGRÁFICOS: Compositor. Cantor. Instrumentista. Nascido no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro, mudou-se, ainda pequeno, para um barraco feito pelo pai na Floresta da Tijuca, na parte onde seria mais tarde o Morro do Salgueiro. Sobre o morro, disse Anescarzinho: "Isso aqui se chamava Morro dos Trapicheiros, pois existia um trapiche (armazém) embaixo. O proprietário da maior parte dessa área era José Salgueiro, freguês da barraca de sorvete e peixe do meu pai. Foi ele que sugeriu o nome do atual morro". Seu pai foi um dos pioneiros do samba no Morro do Salgueiro, fazendo da sua casa ponto de encontro de sambistas. Cursou apenas o primário e foi funcionário de uma fábrica de tecidos. Em 1949, compôs o seu primeiro samba-enredo, "Maravilhas do Brasil", para a Escola Unidos do Salgueiro, após um pedido do então Diretor da Escola, Manuel Macaco. Daí em diante, passou a viver exclusivamente de música, até sofrer um enfarto e vir a falecer pouco antes do carnaval de 2000, sendo sepultado no Cemitério do Caju.

DADOS ARTÍSTICOS: Em 1949 a Escola de Samba Unidos do Salgueiro desfilou com um samba de sua autoria, obtendo o quinto lugar. No ano seguinte, compôs com o então Diretor de Harmonia da escola, Noel Rosa de Oliveira, o samba-enredo "Mártires da Independência", que conquistou o sexto lugar no desfile daquele ano. Em 1953, com a fusão das escolas Depois Eu Digo, Azul e Branco e Unidos do Salgueiro, integrou a Ala dos Compositores do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Compôs com Noel Rosa de Oliveira e Walter Moreira, em 1960, o samba-enredo "Quilombo dos Palmares", com o qual a escola obteve o primeiro lugar no carnaval. Por essa época, já se tornara famoso devido ao samba de quadra "Água do Rio" (Só resta saudade), composto em parceria com Noel Rosa de Oliveira, com quem também dividiria, em 1962, a autoria da música "Descobrimento do Brasil". No ano seguinte, com Fernando Pamplona como carnavalesco, foi um dos responsáveis pela inovação que o Salgueiro promoveu em relação à escolha dos enredos, que se limitavam a mostrar episódios oficiais da História do Brasil. O Salgueiro apresentou naquele ano o enredo "Chica da Silva", com samba-enredo de Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira, abordando heróis do povo, assim como aconteceria mais tarde com Chico-Rei e Zumbi. Ao lado de Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Paulinho da Viola, Araci Cortes e Nelson Sargento participou, em 1965, do musical Rosa de Ouro, montado e dirigido pelos produtores Hermínio Bello de Carvalho e Kleber Santos, que lançaria a cantora Clementina de Jesus. Do show, foram editados dois LPs, Rosa de Ouro Volume I e Rosa de Ouro Volume II, em 1965 e 1967, respectivamente. Neste mesmo ano de 1965, Zé Kéti, a pedido da gravadora Musidisc, organizou com alguns integrantes do musical Rosa de Ouro o conjunto A Voz do Morro, integrado por Anescarzinho, Jair do Cavaquinho, Oscar Bigode, Paulinho da Viola, Zé Cruz e Zé Kéti. Ainda neste ano, o grupo gravou pela Musidisc o seu primeiro LP, A Voz do Morro volume I, lançando também A Voz do Morro volume II, que contou com a participação de um novo integrante, Nelson Sargento. No ano seguinte, em 1966, também pela Musidisc, foi lançado Roda de Samba, o terceiro LP do conjunto. Em 1967, integrou o grupo Os Cinco Crioulos, com Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho e Nelson Sargento. O antológico show de lançamento aconteceu no Teatro Opinião, com participação especial dos cantores Cyro Monteiro, Nora Ney e Clementina de Jesus. Neste mesmo ano, o grupo gravou pela Odeon o seu primeiro LP, Samba... No Duro volume I e, no ano posterior, ainda com a formação original, lançou o segundo LP, O Samba... No Duro Volume II, pela Odeon. Em 1969, com a substituição de Paulinho da Viola por Mauro Duarte, o grupo lançou pela mesma gravadora seu terceiro e último LP, Os Cinco Crioulos - Samba... No Duro Volume III. Na década de 1970, a dupla João Bosco e Aldir Blanc compôs o samba "Siri recheado é o cacete" em sua homenagem. Segundo Aldir Blanc, "Inventei vários pratos com siri, que meu compadre babava e não podia comer, por ordens médicas". Em 1992, o escritor e compositor Nei Lopes enfatizou a sua importância no cenário musical brasileiro em seu livro "O Negro no Rio de Janeiro e sua Tradição Musical". Seu último parceiro foi o poeta Célio Khouri, com quem compôs 11 sambas (alguns ainda inéditos), entre eles "Amor flutuante", gravado na coletânea Conexão Carioca Volume 2, produzida por Euclides Amaral para o selo Guitarra Brasileira. No disco, que contou com a apresentação de Ricardo Cravo Albin, Célio Khouri interpretou sozinho o samba, pois Anescarzinho do Salgueiro falecera poucos meses antes da gravação, da qual queria participar ao lado do parceiro. No ano de 2002, Eliane Faria (sua sobrinha - filha de Paulinho da Viola) interpretou "Amor poente" (c/ Célio Khouri) no disco Conexão Carioca 3, produzido por Euclides Amaral e apresentado pelo poeta e letrista Sergio Natureza.

DISCOGRAFIA: 1965: Rosa de Ouro. Volume I. Odeon, LP. 1965: A Voz do Morro. Volume I. Musidisc, LP. 1965: A Voz do Morro. Volume II. Musidisc, LP. 1966: A Voz do Morro/Roda de Samba. Musidisc, LP. 1966: Rosa de Ouro. Volume III. RGE, LP. 1967: Rosa de Ouro. Volume II. Odeon, LP. 1967: Os Cinco Crioulos. O Samba... No Duro. Volume I. Odeon, LP. 1968: Os Cinco Crioulos. O Samba... No Duro. Volume II. Odeon, LP. 1969: Os Cinco Crioulos. O Samba... No Duro. Volume III. Odeon, LP. 1993: Rosa de Ouro Volumes I e II (Série Dois em Um), Odeon, CD.

SHOWS PRINCIPAIS: 1965: Musical Rosa de Ouro (c/ vários). Teatro Jovem do Rio de Janeiro. 1967: Show "Mudando de Conversa". Com o Conjunto A Voz do Morro, Cyro Monteiro, Nora Ney e Clementina de Jesus. Teatro Opinião. RJ.

BIBLIOGRAFIA CRÍTICA: LOPES, Nei. O Negro no Rio de Janeiro e sua Identidade Musical. Rio de Janeiro: 1992. ALBIN, Ricardo Cravo. MPB, A História de Um Século. Rio de Janeiro: Atrações Produções Ilimitadas/MEC/Funarte, 1997. ALBIN, Ricardo Cravo. "Dicionário Cravo Albin da MPB". Rio de Janeiro. RJ. 2002.