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ARTISTAS/RELEASES CACASO (Antonio Carlos Ferreira de Brito) 13/3/1944 - Uberaba, MG. 27/12/1987 - Rio de Janeiro, RJ. DADOS BIOGRÁFICOS: Letrista. Poeta. Escritor. Filho de Carlos Ferreira de Brito e Wanda Aparecida Lóes de Brito. Mineiro, nasceu em Uberaba, passou a infância em Alfredo de Castilho e Barretos, interior de São Paulo. Aos 11 anos, foi morar no Rio de Janeiro. Aos 12, chegou a ser matéria de jornal por suas caricaturas de políticos e personagens da vida pública, prática que levaria por toda sua vida. Costumava ilustrar seus poemas, crônicas e letras de músicas com nanquim e lápis de cera. Estudou violão clássico. Cursou Direito. Formado em Filosofia pela UFRJ. Fez Pós-graduação na USP. Lecionou Teoria Literária na PUC e na UFRJ. Foi também crítico e ensaísta. Teve dois filhos: Pedro de Brito, do primeiro casamento com a antropóloga, professora e pesquisadora Leilah Landim Assumpção de Brito, e Paula, do segundo casamento com a cantora Rosa Emília Machado Dias. Pedro de Brito (jornalista), assim como o pai, é poeta, tendo publicado alguns poemas no Jornal de Letras e Artes. Como jornalista, especializou-se na área de música, tendo atuado em vários jornais: Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Gazeta Mercantil e no jornal O Dia assinando Pedro Landim. Em 1967, José Álvaro Editor publicou "A Palavra Cerzida", seu primeiro livro de poemas, que já havia sido publicado nas principais antologias da nova poesia brasileira. Publicou também "Grupo Escolar" (1974), "Beijo na Boca" (1975), "Segunda Classe", em parceria com Luís Olavo Fontes (1975), "Na Corda Bamba" (1978), "Mar de Mineiro" (1982) e a coletânea "Beijo na boca e Outros Poemas" (1985), todos de poesias. Pouco antes de falecer, vitimado por um infarto do miocárdio, estava trabalhando em um roteiro sobre Canudos junto com Edu Lobo e Ruy Guerra. Anos depois, Edu Lobo, em homenagem ao poeta, incluiu uma das parcerias de ambos, "Canudos", no filme homônimo de Sérgio Rezende. Em 1997, foi editada pela UNICAMP/UFRJ uma coletânea de seus ensaios, poemas inéditos, crônicas e artigos publicados em jornais intitulada "Não quero prosa", lançada na Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Compôs em parceria com Nelson Angelo o musical "Táxi", ainda inédito. No ano 2000, a editora Sette Letras republicou "Beijo na boca". Em 2002 foi publicado pela Editora Sette Letras e Cosac & Naify antologia "Lero lero", compilando sete livros seus e ainda parte de um material que estava inédito (poemas e desenhos). Ainda em para 2002, os jornalistas Renato Fagundes e Paulo Mussoi estão produzindo o filme de animação digital "Cidadelas", baseado em poemas sobre Canudos (Auto de Canudos) deixados por Cacaso e nunca publicados, além de desenhos feitos pelo poeta sobre o mesmo tema. O curta-metragem terá trilha sonora de Igor Araújo composta sobre os poemas de Cacaso. O poeta deixou mais de 20 cadernos, muitos deles em forma de diários, com poemas, fotos e ilustrações. Está previsto para este mesmo ano o CD Sem fim. Produzido por Pedro Landim e Mário Adnet o disco trará algumas de suas composições que se tornaram sucesso com os principais intérpretes da MPB. DADOS ARTÍSTICOS: Em 1963, o grupo Os Cariocas gravou "Carro de boi", parceria de Cacaso com Maurício Tapajós. Três anos depois, em 1966, juntamente com Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho, compôs a trilha sonora para a ópera "João Amor e Maria", de autoria de Hermínio Bello de Carvalho. A ópera foi dirigida por Kléber Santos e Nélson Xavier, e teve no elenco Betty Faria, Fernando Lébeis, José Damasceno, José Wilker e Cecil Thiré, além do quarteto vocal MPB-4, com cenários de Marcos Flaksman e encenado no Teatro Jovem. Desta ópera, com disco lançado pela gravadora Mocambo/Rosemblit, destacam-se de sua autoria "Luta danada", "Tira o peixe do mar", "Tempo bravo", "Jangada", "Foi milagre" e "Não adianta não", todas em parceria com Maurício Tapajós, e ainda "Modinha", esta em parceria com Maurício Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho. No ano de 1968, "Meu carnaval" (Elton Medeiros e Cacaso) foi gravada por Paulinho da Viola. Na década de 1970, foi um dos principais teóricos e ativista da chamada "Geração mimeógrafo", que editava seus livros de poesias de forma artesanal. No ano de 1975, Sueli Costa gravou "Dentro de mim mora um anjo", canção incluída na trilha sonora da novela " Bravo", da Rede Globo, mais tarde regravada com sucesso por Fafá de Belém. Por essa época, suas composições foram gravadas por diversos intérpretes da MPB: Maria Bethânia ("Amor, amor"), Simone ("Face a face"), ambas em parceria com Sueli Costa, e o grupo A Barca do Sol "Cavalo-marinho" (c/ Nando Carneiro). Ainda na década de 1970, Olívia Byington regravou "Cavalo-marinho" e Milton Nascimento regravou "Carro de bois" (c/ Maurício Tapajós) no LP Gerais. Em 1976, iniciou parceria com Edu Lobo, que incluiu três músicas de ambos no LP Limite das águas: "Toada", "Gingado dobrado" e "Uma vez um caso", esta última com a participação especial de Joyce. Dois anos mais tarde, Edu Lobo incluiu várias parcerias da dupla em seu novo LP Camaleão: "Descompassado", "Coração noturno", "Canudos", "Sanha na mandinga", "Branca Dias" e o sucesso "Lero-lero". Por essa época, compôs em parceria com Edu Lobo a trilha sonora da peça O Santo Inquérito, de Dias Gomes. A peça, com direção musical de Dori Caymmi, estreou no teatro Tereza Raquel com direção cênica de Flávio Rangel, tendo no elenco Carlos Vereza, Cláudio Marzo, Ítalo Rossi e Isabel Ribeiro (como Branca Dias). Ainda de sua parceria com Edu Lobo, Nana Caymmi gravou "Branca Dias" e "Eu te amo" (c/ Sueli Costa). No ano de 1978, a gravadora Philips lançou o LP Transversal no tempo, de Elis Regina, com músicas gravadas ao vivo no show homônimo. Neste disco, há uma parceria sua com Lourenço Baeta: "Meio-termo". No ano seguinte, Lourenço Baeta gravou em seu primeiro LP, lançado pela Continental Discos, várias parcerias da dupla, como "Feito mistério", "Santa Marina", "Festa no céu" , "Meio-termo" e "Dia dos pais" (c/ Lourenço Baeta e Sidney Matos). Neste mesmo ano de 1979 Nana Caymmi gravou "Sem fim", parceria com Novelli. Na década de 1980, vários outros intérpretes e parceiros gravaram suas composições, como "Cartão-postal" (c/ David Tygel), por Elba Ramalho, e o grupo Boca Livre gravou várias: "Pedra da lua" (c/ Toninho Horta) , "Feito mistério" (c/ Lourenço Baeta) e "Um canto de trabalho" (c/ Nelson Angelo). Por essa época, outros artistas também gravaram suas composições: "Dinheiro em penca" (c/ Tom Jobim), por Chico Buarque e Tom Jobim. Djavan gravou duas parcerias de ambos: "Lambada de serpente" e "Morena de endoidecer" e ainda "Triste Baia da Guanabara" (c/ Novelli). Neste mesmo ano, Francis Hime gravou algumas parcerias com o poeta em seu LP pela gravadora Som Livre, dentre elas: "Cabelo pixaim", "Meio demais", "Baião de jeito", "Elas por elas", "Marina morena" e "Grão de milho". Ainda em 1980, Maurício Tapajós, no LP Olha Aí (selo Saci), interpretou "Falando de cadeira", parceria de ambos. Em 1981, Joyce gravou "Beira rio", parceria de ambos. No ano seguinte, Tom Jobim e Miúcha gravaram "Nó cego" (Toquinho e Cacaso). Neste mesmo ano de 1982, a cantora e atriz Beth Goulart, em seu LP Passional, regravou "Cavalo-marinho" e a cantora Amelinha, no LP Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor, pela gravadora CBS, interpretou "Profunda solidão" (Novelli e Cacaso) e Zé Renato no LP A fonte da vida, incluiu "Volta do mundo" e "A fonte da vida", ambas parcerias de Zé Renato e Cacaso. Em 1984, Filó gravou em seu disco Canto fatal duas parcerias de ambos: "Perfume de cebola" e "Cavalo do cão". Neste mesmo ano, Nelson Angelo gravou em Paris o LP Mineiro pau, disco no qual constou algumas parcerias com Cacaso, inclusive a faixa-título. No ano seguinte, Olívia Hime gravou "O fio da meada", uma das muitas parcerias do poeta com Francis Hime. Por essa mesma época, o parceiro Francis Hime gravou "Se porém fosse portanto" e "Terceiro amor". Selma Reis, em 1986, interpretou "O que será que serei" (Nelson Angelo e Cacaso). No ano de 1987, Olívia Byington gravou pela Continental o LP Moda sentimental, no qual incluiu "Clarão", parceria de Olívia Byington e Cacaso. No ano seguinte, foi lançado pelo Grapho o LP Ultraleve, de Rosa Emília (sua esposa), disco no qual o poeta vinha trabalhando desde 1986. Neste trabalho, produzido por Cacaso, figuram nove composições suas em parcerias com Rosa Emília, Nelson Angelo, Djavan, Jaques Morelenbau, Novelli e Sueli Costa. O disco contou com a participação de Moreira da Silva interpretando juntamente com Rosa Emília o samba "Deixa o barraco rolar" (Rosa Emília, Nelson Angelo e Cacaso). Neste mesmo ano, Milton Nascimento, no LP Miltons, regravou "Sem fim" (Novelli e Cacaso), cuja gravação contou com a participação especial do pianista americano Herbie Hancock. Em 1989, a gravadora Philips lançou o CD Transversal no tempo, de Elis Regina, anteriormente lançado em LP, que contém uma parceria de Cacaso com Lourenço Baeta, "Meio-termo". Em 1991, Beth Carvalho, no LP Intérprete, incluiu "Agradecer", composição de Cacaso em parceria com Sueli Costa. No ano seguinte, Muri Costa gravou "Chega de tarde", parceria de Cacaso com Danilo Caymmi, lançado em CD produzido pela Leblon Records. Um ano depois, pelo Selo Niterói Discos, Errol interpretou "Dona Doninha" (Sueli Costa e Cacaso). No ano de 1995, a Lumiar Discos lançou o Songbook de Edu Lobo, no qual incluiu "Lero-lero", interpretada pelo grupo Garganta Profunda. Aldir Blanc, em 1996, registrou em seu disco Aldir Blanc 50 Anos a composição "Vim sambar", composta por Cacaso, Aldir Blanc e João Bosco, com interpretação do grupo Arranco de Varsóvia. Em 1998, o grupo Boca Livre lançou Song Boca, disco comemorativo de 20 anos de carreira. Neste disco, Chico Buarque participou interpretando "Feito mistério" (Lourenço Baeta e Cacaso). No ano seguinte, Nana Caymmi regravou "Chega de tarde" (Danilo Caymmi e Cacaso) em seu CD Resposta ao tempo, lançado pela EMI. Ainda neste ano de 1999, Ito Moreno interpretou "Lambada de serpente" (Djavan e Cacaso), no LP De onde vem o baião, lançado pela gravadora Velas. No ano 2000, o cantor paulista Carlos Navas gravou em seu segundo disco, Sua pessoa, uma composição inédita de Cacaso com Zé Renato: "Lua de vintém". Neste mesmo ano, a compositora Sueli Costa lançou o CD Minha arte, no qual constou alguns títulos da dupla, entre eles "Dona Doninha" e a inédita "Senhora de si". No carnaval de 2001o bloco Flor do Sereno, do bar Bip Bip, em Copacabana, desfilou com três marchas, sendo uma dela a "Marcha regresso", de Elton Medeiros, Maurício Tapajós e Cacaso. Neste mesmo ano, Elton Medeiros gravou "Aurora de paz" (Elton Medeiros e Cacaso), que deu título ao disco lançado pela gravadora Rob Digital. Na década de 1960, a música já havia sido gravada pelo grupo Cinco Crioulos, integrado por Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro, Jair do Cavaquinho e Nelson Sargento. Ainda em 2001, o cantor Augusto Martins interpretou "Lambada de serpente" no disco Me leve... Na batida de Djavan, música regravada pelo cantor Belo. Neste mesmo ano, Lucinha Lins gravou "Dentro de mim mora um anjo" (c/ Sueli Costa) no CD Canção brasileira (sobre a obra de Sueli Costa) que inicialmente saiu como disco brinde da CETIP, com arranjos de Gilson Peranzzetta. O disco foi lançado comercialmente no ano de 2002. Neste mesmo ano de 2002, sua composição "Feito semente" parceria com Marko Andrade e Euclides Amaral, interpretada pela cantora Edir Silva, foi incluída na coletânea Conexão carioca 3, produzida por Euclides Amaral. Nelson Angelo finalizou o CD Mar de mineiro, que deverá sair pela Lua Discos, com 13 de suas parcerias com Cacaso: "Terra à vista", "Mar de mineiro", "A fonte", "Marinheiro sem mar", "De uma vez por todas", "Quando eu vi o mar", "Dinhêru", "Dito e feito", "Pena de paixão", "Veridiana", "Na subida da ladeira" e "Profundamente" e "Ave", esta última, deverá virar um clipe pela Virtual Cinema e Vídeo, com imagens geradas no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ainda em 2002, foi incluída no CD Duetos, de Chico Buarque, "Dinheiro em penca" parceria com Tom Jobim, interpretada por Chico Buarque, Tom Jobim e Miúcha. Constam ainda na relação de seus intérpretes Pery Ribeiro em "Nó cego" (c/ Toquinho), e Emílio Santiago em "Angu de caroço" (c/ Edu Lobo) e Maria Bethânia em "Morena de endoidecer" (c/ Djavan). De suas mais de 200 músicas gravadas, figuram parcerias suas com Egberto Gismonti, Miúcha, Sérgio Santos, Eduardo Gudin, João Donato, Filó Machado, Jards Macalé, Sivuca, Maurício Maestro, Cláudio Nucci, Pedro Landim, Carlinhos Vergueiro, Novelli e João Bosco. SHOWS PRINCIPAIS: 1986: Cacaso, Rosa Emília e Nelson Angelo. Sala Funarte Sidney Miller, RJ. BIOGRAFIA CRÍTICA: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. 26 Poetas Hoje. Rio de Janeiro: Ed. Labor, 1976. HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Impressões de Viagens. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1980. PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. Retrato de Época - Poesia Marginal Anos 70. Rio de Janeiro: MEC/Funarte, 1981. HOLLANDA, Heloísa Buarque de e PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. Literatura comentada - Poesia jovem anos 70. São Paulo: Ed. Abril Cultural, 1982. PERRONE, Charles A . "Letras e Letras da música popular brasileira" (Trad. De José Luiz Paulo Machado). Rio de Janeiro. Elo Editora e Distribuidora Ltda. 1988. SCHEVERRIA, Regina. "Furacão Elis". São Paulo. Editora Globo. 1994. MARCONDES, Marcos Antônio. "Enciclopédia da Música Brasileira - Erudita, folclórica e popular". São Paulo. Arte Editora/Itaú Cultural/Publifolha - 2ª edição. 1998. SEVERIANO, Jairo e MELLO, Zuza Homem de. A canção no tempo vol. 2. São Paulo: Editora 34, 1998. CHAVES, Xico e CYNTRÃO, Sylvia. Da paulicéia à centopéia desvairada - As vanguardas e a MPB. Rio de Janeiro: Elo Editora, 1999. ALBIN, Ricardo Cravo. “Diccionario Cravo Albin da MPB”. Rio de Janeiro. 2002. |
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