Em setembro, projeto de intervenção urbana ocupará cidades de Nova Iguaçu e Rio de Janeiro com esculturas de espuma do artista visual Heleno Bernardi
Tão habituado a choques de ordem, o espaço público vai passar por um choque de arte em setembro. Na série de intervenções urbanas que vai realizar dias 3, 12, 18, o artista plástico Heleno Bernardi vai apresentar em plena rua o projeto “Enquanto Falo, As Horas Passam”, que vai espalhar entre Nova Iguaçu, Central do Brasil, Cinelândia e Lagoa, respectivamente, 100 múltiplos de esculturas feitas em espuma, tecido e botão com a forma da silhueta de uma pessoa deitada em posição fetal, os ‘corpos-colchão’. A iniciativa conta com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro. Da reação ao trabalho, o artista realizará um documentário que complementará a idéia da obra.
“É um trabalho sobre o que decidimos acolher na vida. Alia, a um só tempo, sedução e rejeição. Como intervenção urbana que é, vai jogar diretamente com a reação das pessoas. Quando estes objetos ganharem as praças públicas tudo poderá ocorrer: os moradores de rua poderão se apropriar, alguém poderá se refugiar, ou ainda querer roubar a peça... Enfim, tudo fará parte do trabalho. Serão espalhados 100 exemplares em cada lugar da intervenção”, diz Heleno.
“Enquanto Falo, As Horas Passam” parte da idéia de provocar o público e estimulá-lo a refletir sobre a relação do homem com o espaço urbano. Desta forma, colabora para ampliar a percepção e consciência a respeito da condição humana na vida em sociedade, suas liberdades e responsabilidades. Mas não é um trabalho de cunho político ou social. “Através da participação do espectador com o trabalho, surge uma experiência colaborativa que se relaciona com a poética da cidade” , destaca Heleno.
A intervenção vai ocupar lugares tão díspares quanto a Praça Rui Barbosa, em Nova Iguaçu, a Estação da Central do Brasil e a Cinelândia. Cada um desses lugares foi escolhido por sintetizar um aspecto da vida das cidades a partir do agrupamento de pessoas. “Em cada um desses lugares, marcados distintamente pelo comércio, pelo deslocamento, pela política, cultura e lazer, existe uma tensão entre os de dentro e os de fora, os anônimos, os sem identidade. O trabalho se abre para esta reflexão a partir de uma relação física, corporal, com os corpos-colchão.”
Mesmo antes de ir para as ruas, a intervenção “Enquanto Falo, As Horas Passam” tem gerado uma série de desdobramentos, como a performance que Heleno fez na abertura do festival Dança Em Foco, no Oi Futuro, numa parceria com a coreógrafa Andrea Maciel. E também no vídeo que realizou com o diretor Inácio Luis, para o mesmo festival. Outro desdobramento é a vida própria que um dos corpos-colchão ganhou. Ele está viajando pelo mundo, sendo acolhido por 10 dias na casa de uma pessoa interessada e depois seguindo adiante, passando de mão em mão. É um projeto colaborativo que vai criar uma rede de abrigo para a arte. Quem iniciou o percurso com este corpo-colchão foi a artista plástica Adriana Lima, dona do Cabaré das Rosas, que levou a escultura para a Irlanda. De lá, depois de rodar o mundo, talvez um dia esta escultura volte para o Rio, para ela mesma, quem sabe, acolher alguém.
Roteiro das intervenções:
3 de setembro - das 8h às 15h, Praça Rui Barbosa – Nova Iguaçu
12 de setembro - das 8h às 14h, Estação da Central do Brasil
18 de setembro- das 8h às 14h, Cinelândia – próximo ao Odeon
27 de setembro - das 8h às 15h, Lagoa Rodrigo de Freitas – Próximo ao Parque dos Patins

