| Dia
de festa e reflexão
A Baixada Fluminense poderia ser conhecida como a terra do “Apesar
de Tudo”. Apesar da geografia que lhe deu um nome cujo sentido
quase sempre é tomado como pejorativo: Baixada, baixo,
de pouco relevo... Apesar de ter sido conhecida como um bolsão
de miséria, um encrave de migrantes pobres de todas as
partes do país. Apesar de ser ainda encarada como um amontoado
de cidades-dormitórios de onde saem pessoas para trabalhar
no Rio e para onde retornam no fim do dia. Apesar de ainda servir
de palco para tragédias como inundações.
Apesar de figurar como o “local do crime” nas manchetes de jornais
sensacionalistas. Apesar de ser referência de todas as carências
de uma urbanização problemática: falta saneamento,
água tratada, transporte, hospitais, programas de saúde,
educação, iniciativas culturais, segurança.
Apesar de tudo, a Baixada tem experimentado em anos recentes grandes
transformações. A economia tem se mostrado vigorosa
em alguns setores. O ambiente político tem trocado a sombra
de velhos vícios pela clareza das ações conseqüentes.
O ambiente cultural mostra a sua vitalidade em inúmeras
manifestações. A Baixada tem obtido reconhecimento,
atenção. E isso é muito mais significativo
do que se tornar nacionalmente conhecida como cenário de
telenovela.
Apesar de tudo, o Dia da Baixada é um dia de festa. E também
de reflexão, pois é preciso pensar com seriedade
e profundidade sobre o passado, o presente e o futuro dessa região.
É urgente descobrir um mecanismo que faça o crescimento
econômico desses municípios reverter, de todas as
formas, para o bem-estar dos seus habitantes. É necessário
fazer com que a educação e a cultura sejam acessíveis.
As carências da região precisam ser minoradas. A
Baixada precisa deixar de ser um estigma para se tornar motivo
de orgulho. Há muito o que propor, formular, planejar,
conhecer, realizar, construir, transformar. Mas há também
muito o que festejar, apesar de tudo.
Geraldo Condé
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