INTRODUÇÃO
DADOS HISTÓRICOS
PRINCIPAIS DESDOBRAMENTOS MUSICAIS DO FUNK
O FUNK COMO EXPRESSÃO DE UMA CULTURA PERIFÉRICA
A INVISIBILIDADE DOS FUNKEIROS, RAPERS, MARGINAIS E FAVELADOS
O FUNK PROIBIDÃO
UM PARADOXO
O FUNK TAMBÉM É FASHION E A MÍDIA SE APROVEITA
DISSO
PROGRAMAS DE TV E RÁDIO SOBRE O FUNK
A CRIMINALIZAÇÃO DO FUNK NA MÍDIA
SOBRE O SUCESSO DO FUNK
O FUNK VIRA DOCUMENTÁRIO
O FUNK TÁ NA MODA E GERA MODA
DE GÊNERO A MOVIMENTO
FECHAMENTO
BIBLIOGRAFIA
SITES CONSULTADOS
GLOSSÁRIO
INTRODUÇÃO:
O gênero musical ‘funk’ ao longo dos anos
vem assumindo características de ‘movimento’.
Isto porque, apesar não ter tantos desdobramento como
o ‘Movimento hip hop’, o funk detém alguns
desdobramentos interessantes que já o vem caracterizando
como ‘Movimento’.
Os desdobramentos estão mais à nível de
vestimentas e posições ideológicas definidas,
principalmente da ala feminina com relação à
sexualidade. Contudo, aprofundaremos este item de mudança
de gênero para movimento, mais tarde. Primeiramente daremos
uma olhada geral no que é o funk em vários aspectos.
DADOS HISTÓRICOS:
No início da década de 1970 o soul-music fazia
sucesso no Brasil. Os principais artistas por aqui conhecidos
eram James Brown e sua banda JB’S, Aretha Franklin, Ray
Charles, Marvin Gaye, Stevie Wonder, Jackson Five, grupos vocais
como Blue Magic, entre outros, a maioria, artistas da gravadora
Monthown, fundada na década de 1960.
Alguns artistas brasileiros que haviam estado na América
do Norte e outros, aqui mesmo do Brasil, logo assimilaram esta
tendência. Entre os mais conhecidos e iniciantes estavam
Dom Salvador e Grupo Abolição, Tim Maia, Carlos
Dafé, Sandra de Sá, Tony Tornado, Gérson
King Combo, Hildon, Lady Zú, Cassiano e Banda Black Rio.
Estes artistas, entre outros desta época, faziam apresentações
nos bailes suburbanos e muitos deles trabalhavam com ‘playback’
com apoio das equipes de som como a Soul Grand Prix (de Paulão),
Monsieur Lima, Big Boy, A Cova, Cash Box e Furacão 2000
(de Marlboro, depois conhecido como DJ Marlboro).
No início da década de 1980 a sonoridade mudou
para o Miami bass, com as batidas graves acentuadas, daí
o título de um dos principais desdobramentos sonoros
do funk. Este modelo de batida fora usado anteriormente por
James Brown em 1965 na composição “Papa’s
got a brand new bag”, mais ou menos “Papai conseguiu
algo novo e excitante”, no qual a sessão rítmica
do baixo era sincopada no primeiro compasso (backbeat) (4),
criando o funk americano, também sinônimo de soul-music.
Apesar de o nome ser o mesmo, o funk na acepção
antiga (décadas de 1970/80, no Brasil e nos E.U.A) não
tem muito a ver com as levadas e as letras atuais do funk-brasileiro.
O antigo era mais pesado em instrumentação com
naipes de sopro e vocais afinadíssimos, o que não
encontramos nos chamados funks atuais, havendo até uma
certa proximidade, mas não chega a ser a mesma música,
inclusive há quem defenda que não deveria ter
este nome. De qualquer maneira, o funk brasileiro como conhecemos
hoje e diferente do que conhecemos na acepção
antiga da primeira geração citada, tanto em ritmo,
quanto em posicionamento ideológico, sendo a primeira
geração engajada no conceito de negritude e com
o ritmo mais parecido com o soul-music (Tim Maia, Carlos Dafé,
Sandra de Sá etc) e a segunda geração (Tati
Quebra-Barraco, Bonde do Tigrão, Bonde do Faz Gostoso
etc) mais solta e com valores mais dispersos, quase sempre ligados
a posicionamentos de relação entre mulher e homem,
além do ritmo estar mais pro charm, discoteque e outros
gêneros. Um texto sobre esta segunda geração,
de nome “O declínio do efeito cidade partida”(5),
de Heloísa Buarque de Hollanda, é bem esclarecedor
em alguns aspectos:
“No Rio de Janeiro, esse fenômeno apresenta certas
características próprias. Tomo, como exemplo,
o funk, considerado uma manifestação cultural
estritamente carioca. Reza a história que o funk carioca
surgiu quando foi descoberta a possibilidade de usar a bateria
eletrônica baseada numa batida funk de Miami, e deitar
por cima a fala das gangues, a fala do morro. A maioria plena
de suas letras fala de dançar, pular, transar, zoar.
Isto é, desde seus primórdios o funk no Rio de
Janeiro gera a festa”.
Sobre a questão do funk e o sexo, a cineasta Denise
Garcia, autora do documentário “Sou feia, mas tô
na moda”, finalizado em setembro de 2004, também
declarou:
“Acredito que o fato do funk falar de sexo sem romance
é só o primeiro estágio, podem acontecer
coisas muito mais revolucionárias depois de uma instigação
como esta. As cachorras ainda são alvos de muito preconceito,
porque as pessoas não entendem que aquilo é uma
atitude e deixam de respeita-las. A mudança é
lenta”.
PRINCIPAIS DESDOBRAMENTOS MUSICAIS DO FUNK:
(Início)
Miami Bass ou Batidão,
Rap Melo,
Montagem,
Charm,
Melody,
Mid back,
Rasteiro
Proibidão
O compositor e pianista João Roberto Kelly (um dos mais
conceituados criadores de marchinhas no Brasil) percebeu aspectos
da marchinha em vários raps ou funk-melody.
Veja um trecho da música da dupla Cidinho & Doca
de título ‘Rap da felicidade’
“Eu só quero é ser feliz/andar tranqüilamente
na favela onde eu nasci (ahn)”.
Quem conhece a melodia percebe logo os elementos de marchinha
aos quais João Roberto Kelly se referiu. O que parece
paradoxal é que as letras das marchinhas antigas versavam
sobre um erotismo menos velado e as atuais uma coisa mais escrachada.
A questão é, se melodicamente a marchinha está
presente em alguns casos, em termos de letra temos aí
um antagonismo. Alguns destes artistas como a dupla Claudinho
& Bochecha fizeram uso deste gênero musical com elementos
da marchinha, talvez inconscientemente.
Quanto à questão do escracho e do erotismo no
funk, há quem defenda que ele veio pra amenizar a violência
dos bailes-funks.
Se por um lado amenizou, por outro lado, o erotismo criou alguns
problemas. Há o relato de um caso de uma menina de 14
anos que afirmava ter engravidado e contraído AIDS em
um baile funk, no Rio de Janeiro. Contudo, não foi nada
constatado pelas autoridades competentes, a DPCA (Delegacia
da Criança e do Adolescente) e o Juiz da Vara da Infância
e Juventude, Siro Darlan, que não deixaria este fato
passar despercebido por sua competência mais que comprovada.
Em contrapartida, há relatos de pessoas de idade que
freqüentam o baile funk e não o acha perigoso. Exemplo
disso é Dona Neuza da Silva, de 70 anos, carinhosamente
chamada de Vovó do Funk (6).
A questão aí não é se o funk é
ou não violento e sim, quem o faz violento através
da divulgação, ou a quem interessa a exposição
da violência, tornando-a argumento e transformando-a em
IBOPE ou chamariz para venda de jornais.
A criminalização ou a glamouralização
dos bailes funks, depende muito do mídia, do meio usado
– a mídia impressa (revista ou jornal) ou eletrônica
(rádio, TV ou internet), do próprio jornalista
e da linha editorial do jornal e/ou revista, emissora de rádio
ou TV.
O funk carioca é denominado pelo termo “Bundalelê”,
talvez por sua vocação a assuntos ligados as coisas
amenas. Quem cunhou esta designação foram os funkeiros
paulistas, que apesar da batida melódica, fazem uso de
um discurso mais engajado. Não sabemos quem cunhou o
vocábulo “Bundalelê”, porém,
pode ser que tenha se originado como uma variante ou corruptela
de “Papailelê”, termo também usado
para pândega, brincadeira, sacanagem e outras coisas correlatas.
Este termo pode se encontrado em um clássico da nossa
literatura: “Memórias de um Sargento de Milícias”,
de Manuel Antônio de Almeida, publicado em 1855. Autor
de obra humorística que focalizava a classe pobre de
sua época, Manuel Antônio de Almeida, às
vezes usava personagens picarescos, com os quais ressaltava
os costumes e o linguajar popular(7). O termo foi usado em uma
passagem na qual o personagem principal, Leonardo e um grupo
de amigos, faziam certas gaiatices sobre a possível morte
do temido delegado Major Vidigal. Gaiatices estas com danças
e quadrinhas debochadas e obscenas. Portanto, “Bundalelê”
e “Papailelê” são sinônimos de
brincadeiras musicais não muito levadas a sério.
Termo empregado com essa função por muitos funkeiros
paulistas.
O FUNK COMO EXPRESSÃO DE UMA CULTURA PERIFÉRICA: (Início)
Como disse, existem dois tipos básicos de funk:
O funk na acepção antiga, com influência
do soul-music americano, principalmente de James Brown e Marvin
Gaye e o funk-melody que nos deteremos a analisar em suas duas
principais vertentes, o Proibidão (de cunho social, engajado
e doutrinário) e o erótico, conhecido como ‘Funk
sensual’ que versa sobre sexo, transa etc, como vimos
em trecho de artigo de Heloísa Buarque de Hollanda.
Denominado como Funk-Miami (por sua influência da música
feita nesta cidade americana, onde predomina a influência
latina), tem como base o ritmo e não está ligado
ao hip hop, isto porquê, usa como base a bateria eletrônica
e samples de músicas do soul music, discoteque, marchinhas
etc. Também conhecido como Batidão, é mais
propagado na periferia do Rio de Janeiro.
O funk erótico tem vários expoentes, entre eles
Tati Quebra-Barraco, Bonde do Faz Gostoso, Bonde do Tigrão,
As Tchutchucas, Vanessinha Picachu, só para citar alguns
dos mais importantes.
O funk, de produção fácil, tendo em vista
que os funkeiros cantam em uma bass rítmica basicamente
em cima do techno, fez com que fosse muito difundido, principalmente
nas camadas mais pobres. Qualquer estúdio barato reunia
condições tecnológicas de produzir um disco
de funk, bastava samplear algumas batidas e colocar a voz em
cima, mantendo um discurso mais popular, usando o erótico
como base e chamariz, isto, sempre falando de casos amorosos,
mais pelo lado sexual, do que pelo lado espiritual, atraindo
a atenção dos mais jovens com seus hormônios
e testosterona à flor da pele.
Com este tipo de produção de baixo custo, artistas
da comunidade passaram a gravar com muito mais facilidade e
freqüência. Criou-se então uma geração
eletrônica, pois em cima de uma base rítmica o
artista falava o que queria, geralmente fora do tom. Mais tarde
foram incorporados outros grooves tanto nacionais como internacionais,
aproveitando os loops das canções. O mais comum
hoje em dia, em vários estados da federação,
é o uso de ritmos regionais como maracatu, macumba, candomblé,
marchinha e samba, só pra citar alguns.
“Também somos, sem medo, uma noção
particular de um Brasil rejeitado, de um Brasil periférico,
mas que construiu um olhar dinâmico de si mesmo, cumulando
conhecimento e erguendo novas estruturas. Somos sim, a transmutação
evolutiva da alma Afro-Tupi que se espalha por muitos cantos
invisíveis deste país”(8).
O texto faz referência à produção
cultural periférica dos subúrbios, dos morros
da Zona Sul e ainda dos bairros da Zona Oeste do Rio de Janeiro,
a chamada música-invisível, aquela sem mídia,
sem gravadora e com poucos recursos de produção,
mas que se mantém, principalmente por expor uma realidade
imediata, comunitária e dos alijados do processo mercadológico.
A INVISIBILIDADE DOS FUNKEIROS, RAPERS, MARGINAIS E
FAVELADOS: (Início)
Existem várias formas de invisibilidade: social, econômica,
racial, política, sexual, etária, de classes,
entre outras, de acordo com Ralph Ellison em seu livro “Invisible
Man”(9) e com certeza, o funk, em sua acepção
musical é refém de um tipo de invisibilidade,
a musical, como disse, a de música-invisível.
Estando a invisibilidade relacionada intimamente com a discriminação,
gera fatos como o acontecido com a funkeira Mc Tati Quebra-Barraco
em 2004. A funkeira foi convidada a participar do "Festival
Ladyfest", em Stuttgart, na Alemanha, que queria a artista
feminina como representante da cultura brasileira. Além
do festival, a cantora apresentou-se também em uma festa
para convidados no Palácio da República, em Berlim
e ainda fez shows em Berlim, Zurique e Amsterdã. A passagem,
paga pelo Ministério da Cultura, gerou polêmica
em vários jornais no Brasil, chegando o Jornal O Globo
On-line a criar a pergunta: "funk é cultura?".
Em algumas horas mais de 500 pessoas responderam a pergunta:
"É a voz da marginalidade ganhando espaço
nas brechas que a própria sociedade abre", disse
o leitor José Nilson de Mello.
"É uma nova cultura que a classe dos subalternos
e sufocados da socidade moderna criou para divulgar a sua existencia",
respondeu a leitora Geisel Carvalho Rabelo.
Como sempre, parte da sociedade caiu de pau neste tanto na
MC quanto no fato do governo ter patrocinado a viagem. Até
a própria classe artística ficou dividida com
relação ao fato. Isto nos faz lembrar a viagem
dos Oito Batutas à mesma Europa em 1922 (rebatizado por
Os Batutas) (10), também muito criticada por ser um ‘bando
de negros’. Não vejo muita diferença no
tratamento de ambos os casos pelos jornais, a categoria e a
própria sociedade como um todo. Mais uma prova que mesmo
passado tanto tempo, a discriminação racial e
de classes continua com vento em popa. Segundo Roberto DaMatta,
pelo fato de ser variável, o preconceito brasileiro tem
uma enorme invisibilidade. Daí a nossa crença
que não temos preconceito racial, mas social, o que tecnicamente,
é a mesma coisa. Desenvolvemos aqui no Brasil um novo
tipo de preconceito: “o preconceito de ter preconceito”
segundo Florestan Fernandes.
O FUNK PROIBIDÃO: (Início)
Denominado PROIBIDÃO, este tipo de funk trata de assuntos
ligados à marginalidade (como nomes de morros, chefes
de tráfico, gente da comunidade que foi morta por policiais
etc), causando assim uma perseguição a seus compositores.
Os rappers do funk-proibidão geralmente usam toucas ninjas
com as quais escondem o rosto e nunca assinam as composições,
mesmo que toda a comunidade saiba até que as compôs.
Nesta categoria de funk proibidão estão também
composições que exaltam as façanhas de
determinadas facções do crime, como Comando Vermelho,
Terceiro Comando e ADA (Amigos dos Amigos), todos do Rio de
Janeiro e ainda o PCC (Primeiro Comando da Capital), da cidade
de São Paulo. Vale lembrar que algumas destas composições
são cantadas basicamente por pessoas ligadas ao tráfico
e não pela comunidade. Isto porque, com a alternância
do poder nas comunidades, quem quer que seja que tenha apoiado
a facção criminosa que perdeu o poder está
fadado à morte. Por isso, dizer que a comunidade canta
determinadas composições não é de
todo verdade. Este fato nos remete à questão da
invisibilidade social, tanto de quem sofre este tipo de violência,
quanto de quem a impõe.
Quanto a essa questão, remeto a um texto de Luiz Eduardo
Soares (Assessor especial da Prefeitura de Porto Alegre) em
“A Segurança Pública como Questão
das Esquerdas” no Fórum Social Mundial, em 2001(11):
“Eles são invisíveis, socialmente invisíveis.
O recurso que encontram para conquistar sua densidade ontológica,
para impor sua presença, para recuperar a visibilidade,
é o medo. Os meninos impõem o medo para alcançar
o reconhecimento de sua presença, para readquirir visibilidade,
identidade interativa na dialética dos encontros humanos...
O terror a que está submetida a população
pobre das favelas e a invisibilidade social e política
de seu sofrimento coletivo. A nova invisibilidade só
é suspensa por seus efeitos violentos sobre a cidade:
a bala perdida, essa loteria de tragédia”.
O outro lado do funk proibidão é que ele também
é porta-voz de parte da comunidade. Aquela parte que
sofre das mazelas das favelas de qualquer cidade grande do país.
MC Mr. Castra é considerado um dos expoentes do "Funk
Proibidão" (sub-gênero que fala da violência,
tráfico de drogas e é pouco divulgado fora das
favelas), sendo considerado adversário do sub-gênero
"Funk sensual". Várias de suas composições
foram incluídas nas coletâneas piratas "Proibidão
do rap", por suas músicas enaltecerem facções
criminosas do Rio de Janeiro. Participou da coletânea
"Proibidão liberado", no qual interpretou as
faixas "O lucro parte II" e "Aba roedor",
em parceria com Beto da Caixa.
Entre suas composições mais divulgadas estão
"Cachorro", referindo-se à polícia militar
(PM) na qual relata em um trecho da letra:
"Cachorro/Se quer ganhar um dindin/Vende o X-9 pra mim/O
patrão tava preso, mas mandou avisar/que a sua sentença
nós vamos executar/É com bala de HK".
Por causa destes versos foi processado pela PM carioca por
apologia ao crime. Para se defender alegou:
"O crime faz parte da cultura da favela. Não sou
cúmplice do crime, sou cúmplice da favela. Não
estou fazendo apologia, estou é relatando uma realidade".
Suas composições são incluídas
na série de CDs piratas "Proibidão do rap",
ao lado de músicas que enaltecem facções
criminosas do Rio de Janeiro. Sobre essas gravações,
certa vez declarou em entrevista ao Jornal do Brasil:
"Aquilo não era nem pra ser gravado e comercializado.
Simplesmente vamos aos bailes, às rádios e cantamos
com a rapaziada".
Em 30 de dezembro de 2002 a PM carioca apreendeu mais um lote
de CDs piratas da série "Proibidão do rap",
disco no qual constavam algumas composições de
sua autoria. Versos como "Não corre/não treme/mete
bala no PM" são comuns nestes discos.
Sobre os bailes-funks e a violência deles, principalmente
dentro das favelas, tem-se notícia que muitos dos bailes
são organizados pela marginalidade, no qual o principal
fim é a venda de drogas. Nestes bailes são cantados
vários tipos de funks e às vezes acabam em morte.
Caso acontecido no final de novembro de 2004 na favela da Chatuba,
no bairro Vila Cruzeiro, pertencente ao Complexo do Alemão,
quando uma facção criminosa ordenou que parasse
o baile funk (não organizado ou consentido por ela).
Como não o fizeram, os marginais disparam em direção
aos participantes e não satisfeitos atiram granadas ferindo
38 pessoas e matando uma. Existe outra versão da mesma
história que alega que neste mesmo baile havia a infiltração
de policiais. De qualquer maneira, o baile acabou com mortos
e feridos. Como as mortes são comuns em favela, principalmente
em se tratando de baile funk, mais uma vez
remeto à invisibilidade social através de trechos
do antropólogo Hélio R. S. Silva(12):
“Invisíveis são todos os fenômenos
e atores sociais que, de tão expostos e públicos,
tornam-se rotineiros e naturais. Como ninguém mais notasse,
pensasse ou avaliasse. Banais, prosaicos, parecem fazer parte
da ordem das coisas ‘desde que o mundo é mundo’”.
UM PARADOXO: (Início)
O funk, tanto os bailes como a música em si, ora é
criminalizado, ora é glamourizado.
Paradoxo é que tanto sofre perseguição,
quanto é glamourizado e freqüenta lugares fashions.
Às vezes o funk cria expectativa, como em 2003, quando
a diretora teatral Bia Lessa armou e dirigiu um desfile-espetáculo
criado para a grife Blue Man no qual, segundo matéria
do Suplemento Ela, do Jornal o Globo, transformou o Museu de
Arte Moderna do Rio de Janeiro em um point que reuniu funkeiros
e intelectuais no evento Fashion Rio. É ainda, o funk,
glamourizado e ocupa horários importantes na TV. Em 2004,
com grande audiência, o programa “Furacão
2000” de Rômulo Costa era levado ao ar diariamente
na TV Bandeirante, no qual o apresentador destrincha todo o
mundo funk, desde os bailes em vários pontos do Rio de
Janeiro, quanto aos novos lançamentos do gênero.
Existem outros programas, como o da ex-esposa Verônica
Costa, esta, se auto-intitula “A Glamourosa” em
diversos outdoors pela cidade, elegendo-se até vereadora
com os votos segmentados dos funkeiros.
O FUNK TAMBÉM É FASHION E A MÍDIA
SE APROVEITA DISSO: (Início)
Sob o título “O funk também é fashion”,
a jornalista Adriana Bechara no Jornal do Brasil listou alguns
lugares fashions nos quais o funk se fez presente no ano de
2004, demonstrando a reverência da classe média
ao ritmo. Em outras matérias de jornal foram pinçadas
informações, o que vem a reforçar a importância
do funk também como artigo de venda de jornais, e ainda
como tema de momento na mídia. Um dos primeiro a enaltecer
o funk carioca foi o fotógrafo de moda Ernesto Baldan.
Em 1998 fez fotos da modelo Fabiana Duarte no baile do Clube
Emoções, na Rocinha, favela da Zona Sul do Rio
de Janeiro. As fotos foram publicadas na revista “Vizoo”,
neste mesmo ano. Em 2003 Mari Stockler, diretora de arte, figurinista
e fotógrafa, lançou o livro “Meninas do
Brasil”, com fotos de várias mulheres em bailes
funks. Em 2004 a estilista Wendell Bráulio, no Fashion
Rio, mostrou a influência do hip hop em sua coleção,
além de vestir nos shows a dupla paulista de hip hop
Helião e Negra Li, que neste mesmo ano lançou
o CD “Guerreiro, guerreira”. DJ Marlboro apresentou-se
no “Tim Festival” e é também o proprietário
do selo Link Records, responsáveis pelo lançamento
de vários discos de funk, principalmente em bancas de
jornal, entre os CDs mais conhecidos do selo destaca-se a coletânea
“Proibidão liberado”, lançada também
em 2004. A boate Fosfobox, em Copacabana, na Zona Sul e o Olimpo,
na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, locais da classe
média carioca onde o funk é a música do
momento. MC Tati Quebra-Barraco apresentou-se em show no Palco
d'A Lôca, no desfile da Grife Cavalera, no São
Paulo Fashion Week, em São Paulo. A mesma MC foi convidada
a participar do "Festival Ladyfest", em Stuttgart,
na Alemanha, além de apresentar-se também em uma
festa para convidados no Palácio da República,
em Berlim e ainda fez shows em Berlim, Zurique e Amsterdã.
Também no âmbito internacional o funk também
aparece em outros lugares fashions: O DJ Zé Pedro comandou
um baile funk na principal loja de departamentos em Londres,
no caso a Selfridges, que usualmente usava um tradicional coquetel
de abertura. MC MR. Castra e DJ Marlboro apresentaram-se em
épocas diferentes na casa noturna Favela Chic, em Paris.
Segundo MC Mr. Castra:
“O funk ainda hoje é discriminado. Só que
é fashion na Europa e em Israel. O que vem lá
de fora é valorizado. Enquanto estava aqui direto nunca
tive o reconhecimento”.
PROGRAMAS DE TV E RÁDIO SOBRE O FUNK: (Início)
O Programa da Xuxa, na Rede Globo, foi um dos que absorveu
o funk, a tal ponto que, quando a apresentadora entrou de férias
foram convidados para substituí-la vários artistas
famosos, entre eles Ivete Sangalo, Sandra de Sá e a dupla
Claudinho & Bochecha, uma das mais famosas do funk na época.
Outro programa também importante para a difusão
do funk foi “Big Mix”, programa de rádio
de DJ Marlboro iniciado na Rádio Manchete no final da
década de 1980, assim como o programa de televisão
de Rômulo Costa, anteriormente citado.
A CRIMINALIZAÇÃO DO FUNK NA MÍDIA: (Início)
Certos programas não acrescentam nada ao movimento hip
hop ou ao movimento funk. Como foi citado anteriormente, o grupo
Racionais MCs recusou o convite da produção do
“Domingão do Faustão”. Sobre esta
questão a MC Tati Quebra-Barraco declarou em entrevista
no documentário “Sou feia, mas tô na moda”,
de Denise Garcia:
“Não ligo para mídia. Se o Faustão
me chamar no programa dele, até vou lá, mas falar
que vou gostar seria mentira”.
As perseguições são freqüentes e
passam diariamente em programas populistas tipo Ratinho, Hebe
Camargo, Gugu, Leão, Aqui e Agora e tantos outros chamados
por Elizabeth Rondelli (13) de “O mundo do nós”
e “O mundo do eles”.
Segue o fragmento do texto “Media, representações
sociais da violência, da criminalidade e ações
políticas - com o sub-título Os medias tecem identidades”
“Os medias não deixam de ser espaço de
definição e de negociação de identidades.
Caso de alguns programas de televisão, particularmente
os jornalísticos, opera-se com dois universos contrapostos:
o mundo do nós e o mundo do eles. A televisão,
para se articular ao nível narrativo com processo de
identidade, se apresenta, nos programas cujos convidados são
de extração social mais elegante, como um nós
da televisão, que falam de nós entre nós
mesmos – pessoas da televisão, do mundo artístico,
jornalístico, político e empresarial, que sabem
respeitar as regras de etiqueta, do bom convívio e do
correto falar, como os programas de entrevistas, por exemplo.
E há os programas que falam sobre eles, aqueles que não
participam desse mesmo universo de vida e de referências
simbólicas e sobre os quais a televisão imprime,
discursivamente, suas marcas discriminatórias. São
estes basicamente os programas de auditório, os telejornais
e os documentários que tematizam e são dirigidos
aos pobres”.
Ainda sobre essa questão da invisibilidade e a conquista
de um certo espaço que permite a visibilidade de uma
identidade definitiva, Micael Herschmann, no texto “As
imagens das galeras funk na imprensa”(14), conclui que,
a mídia produz ‘frestas’ nas quais o ‘outro’
emerge, enquanto um espaço fundamental para a percepção
das diferenças. Na medida em que a mídia dá
visibilidade aos grupos urbanos marginalizados, permite que
tais grupos denunciem a condição de ‘proscritos’
e reivindiquem cidadania. A construção endemoninhada
do ‘outro’ pode justificar atos de violência
contra ele, mas traz enumeras dúvidas e coloca em cheque
a imagem de uma suposta coesão do tecido social. Micael
sugere que o mesmo discurso que demoniza (processos de estigmatização
e criminalização) o funk é o que vai assentar
as bases para a sua glamourização. Sobre essa
polissemia do discurso, Mikhail Baktin avalia que cada discurso
comporta uma polissemia não controlada completamente
pelo sujeito. Tudo isso vai desaguar na questão da mídia
enquanto arena que abriga narrativas que pretendem dar conta
do real, com perspectivas diferentes e engredando sentidos diferentes,
como resume o próprio Micael Herschmann, no texto “As
imagens das galeras funk na imprensa”.
SOBRE O SUCESSO DO FUNK: (Início)
No início dos anos de 1990 o funk surgia como um sucesso
de mídia. Uns diziam que a indústria fonográfica
acabara de inventar o ritmo para repor o comércio decadente
dos grupos de pagode, do axé music e principalmente do
sertanejo. Com as vendas em baixa, era preciso colocar em pauta
um novo ritmo comercial. Na época, o funk invadia vários
espaços como academias de dança, bailes do Chapéu
Mangueira, Ladeira dos Tabajaras, Quadra do Salgueiro, academias
de ginástica, boates (Circus, em São Conrado,
Hard Rock), clubes (Mourisco, Bouqueirão, Coqueluche,
na Cidade de Deus) e até shows de samba. Alguns artistas
consideravam e consideram o funk cult. No final da década
de 1990 o funk da moda era o que tinha um forte apelo sexual
com letras fáceis e refrão repetitivo. Logo depois
o funk foi proibido, contudo em 2003 através da sanção
da Lei Estadual 4.264/2003, de autoria do deputado Alessandro
Calazans, do Partido Verde, os bailes foram regulamentados e
autorizados novamente. O funk retornou com força total
e deixou às favelas, sendo organizado desta vez até
em novas boates e casa de shows como Ballroom e até em
festas da Comunidade Judaica carioca, de acordo com matéria
das jornalistas Maria Ganem e Natasha Néri sob o título
“Classe média volta ao pancadão”,
publicada no Jornal do Brasil em julho de 2004.
O FUNK VIRA DOCUMENTÁRIO: (Início)
Um dos primeiros documentários sobre o funk, “O
funk carioca”, foi transmitido pelo Canal Futura no ano
de 2001. Anos depois, em setembro de 2004, o documentário
“Sou feia, mas tô na moda”, de Denise Garcia,
usou como fio condutor da história uma das frases de
impacto da MC Tati Quebra-Barraco (Tatiana dos Santos Lourenço
– 1980). Considerada a MC mais polêmica do mundo
funk, a MC recebeu o apelido de “Tim Maia do mundo funk”
por suas declarações e posições
bem definidas com relação à posição
da mulher na sociedade e do funk no cenário musical brasileiro.
“Tati é a mulher do futuro. Ela tem um gênio
difícil, mas fala coisas que rompem preconceitos e pede
igualdade entre homens e mulheres” declarou DJ Marlboro
em uma de suas entrevistas.
A própria cineasta, Denise Garcia, também define
as posições da MC:
“O que Tati faz é arte política da melhor
qualidade, ela está abrindo caminho para uma relação
mais democrática entre homens e mulheres. E acho maravilhoso
que ela não tenha tanta consciência disso, o que
a torna ainda mais natural e poderosa. Subia no palco grávida
de oito meses e botava o baile pra dançar e cantar alucinadamente
seus refrões desavergonhados, como ‘tô podendo
pagar hotel pros homens e é isso que é importante’.
Ela também é novinha e não que ser aquela
mulher casada, com filhos, que fica se lembrando do tempo de
solteira, quando costumava transar. Sua postura é outra
e as meninas que a escutam estão sacando a si mesmas”.
No filme vários artistas do funk aparecem ou dando entrevista
ou atuando em bailes: Elaine das Graças, Kelly, Danielle
Braz e Ana Cristina dos Anjos (vocalistas do grupo Tchutchucas),
Vanessinha Picachu e é claro, Tati Quebra-Barraco, Bonde
do Tigrão, Bonde do Faz Gostoso, entre outros artistas
não menos importantes para o Movimento Funk.
O FUNK TÁ NA MODA E GERA MODA: (Início)
O visual funkeiro tanto atinge homens, quanto mulheres. Mas
é na mulher, target preferido para qualquer tipo de lançamento
de moda, que o funk encontra a sua maior expressão com
relação à vestimenta. Vanessinha Picachu
comenta:
“Ás vezes vou cantar vestida de um jeito e, no
baile seguinte, várias meninas já estão
vestidas da mesma forma”.
As meninas do funk se vestem, também, em lojas de departamento
e é comum encontrar camisetas sobrepostas de cores inversas,
calças brancas apertadíssima ressaltando as formas,
sapatos plataforma, bonés e calças da marca Gang.
Sobre o uso, principalmente das calças da marca Gang
destaco que, merecidamente o crédito vai para a top model
internacional Gisele Bündchen, que declarou certa vez ser
a marca que mais gostava. Daí em diante as vendas subiram
extraordinariamente e, como não podia deixar de ser,
as mulheres do funk fizeram da marca o sonho de consumo:
Trecho de uma letra de funk:
“Calça da Gang é o que toda mulher quer,
duzentos real pra deixar a bunda em pé”.
DE GÊNERO A MOVIMENTO (Início)
Aos poucos o ‘gênero’ funk vai se firmando
como ‘movimento’. Isto à medida em que vai
criando uma função diferenciadora dos outros movimentos
anteriores como Tropicália, Jovem-Guarda e Bossa Nova,
entre outros. Aos poucos o funk vai criando um panteão
de personagens que vão se fixando na cultura popular.
Para quem torce o nariz e acha que movimento musical somente
pode ser criado por universitários e intelectuais, o
funk tem desagradado muitas gente. À medida em que alguns
artistas influenciam costumes, moda e criam polêmicas
com relação à posições definidas
na sociedade, isto através de suas atuações
em processos de criação e distribuição
de seus produtos – vide o ‘Funk proibidão’,
que nem necessita de gravadora ou distribuidora – à
medida em pessoas como a MC Tati Quebra-Barraco pensam e fazem
coisas diferentes com relação à questão
feminina e até certo ponto, influencia toda uma geração
de mulheres de sua comunidade e parte de uma classe social a
que pertence, isto sem mesmo ter que ‘queimar sutiãs’
com as feministas-intelectuais do passado. O funk prova que,
além de sair do gueto, deixou também de ser somente
um produto comerciável musicalmente e passou a pertencer
a ala da MPB que reverencia mudanças sociais, econômicas
e políticas. Talvez o Movimento Funk e o Movimento HIP
Hop não sejam os únicos que neste início
de milênio estejam ocupando este espaço de questionamento,
tanto na mídia, quanto no individual e parte do coletivo,
mas com certeza, ambos os movimentos, oriundos das classes menos
favorecidas, estão mudando a cabeça de muita gente
e relaciono intelectuais, classe média e classes baixas,
governantes que tendem a reprimir ou rever suas posições
sociais perante a alguns fatos pontuais ou não. De qualquer
maneira, ainda é muito cedo para termos uma visão
mais ampla de ambos os casos – o funk e o hip hop –
Temos pouco mais de uma década de atuação
e análise e isto é muito pouco em termos de história.
Muita cabeçada ainda vai ser dada e nada pode ser afirmado
com veemência. Estamos apenas no começo de tudo.
O ibridísmo de ritmos como maculelê, samba, rap,
marchinas, funk, macumba, maracatu etc, nos dá a única
certeza: Nada será como antes depois do funk e do hip
hop.
FECHAMENTO: (Início)
E para finalizar, mais uma citação, desta vez
de José Miguel Wisnik:
“O papel do ensaísta é nomear coisas difíceis,
se possível de maneira simples”.
BIBLIOGRAFIA: (Início)
1 – DAMATTA, Roberto. Rosa Amanda Strausz
“Texto de apresentação da Coleção
Palavra Urgente – Ensaio: O que é o Brasil”.
Rio de Janeiro: Editora Rocco, pp 4-5.
2 - ALBIN, Instituto Cultural Cravo. “Muralistas
contemporâneos”. Revista Carioquice Ano 1. Nº
2. Rio de Janeiro: ICCA, 2004, pp. 28-32.
3 - HERSCHAMANN, Micael M. “Música,
juventude e violência urbana: o fenômeno funk e
rap”. Revista Comunicação&Política.
n.s., n2. Rio de Janeiro: Ed. Cebela, 1995, pp.89-96.
4 – Revista Os grandes do soul music.
Fascículo 84-487-0761-3 Volume I “James Brown –
Sex machine”. Barcelona, Espanha: Ediciones Altaya, S.A.
5 – HOLLANDA, Heloísa Buarque.
“O declínio do efeito cidade partida” Revista.
Carioquice Ano 1. Nº 1. Rio de Janeiro: ICCA, 2004, pp.
68-71.
6 – CAMPESTRINI, Hildebrando. Literatura
Brasileira com textos e testes. São Paulo, Editora FTD
S.A. 1976.
7 –ELLISON, Ralph. Invisible Man. São
Paulo, Marco Zero Editora. 1990.
11 – SOARES, Luiz Eduardo. “A Segurança
Pública como Questão das Esquerdas”. Fórum
Social Mundial, 2001.
13 - RONDELLI, Elizabeth. “Media, representações
sociais da violência, da criminalidade e ações
políticas”. Revista Comunicação&Política.
n.s., n2. Rio de Janeiro: Ed. Cebela, 1995, pp.97-108.
14 – HERSCHMANN, Micael. “As imagens
das galeras funk na imprensa”. Linguagens da Violência.
Org. Carlos Alberto Messeder Pereira. Rio de Janeiro: Editora
Rocco, 2000, pp 163-196.
SITES CONSULTADOS: (Início)
9 - www.atlantistendamix.com.br
10 - www.dicionariompb.com.br
8 - www.markoandrade.com.br
www.cliquemusic.com.br
DISCOS CONSULTADOS:
(Início)
12 – SILVA, Hélio R. S. Apresentação
do CD O homem invisível, de Roberto Lara. Arrent Mermo
Records, 2004
GLOSSÁRIO: (Início)
Cachorra – o mesmo que tchutchucas e popozudas - Mulher
liberada
Cachorro – PM
Dindin – Dinheiro
Patrão – Chefe do tráfico
HK – Fuzil
X 9 – Delator
Função diferenciadora – Qualidade que ajuda
a diferenciar alguma coisa de outra
Panteão – Conjunto de figuras públicas que
perduram na memória individual ou coletiva
Target – Público alvo em propaganda e marketing
Euclides Amaral
(poeta e letrista - euclidesamaral@superig.com.br )
10.02.2005