HISTÓRIA

Quadro do Artista Plástico José Luis

Quadro em óleo da fazenda do Comendador Pedro Antonio Telles Barreto de Menezes, localizada onde hoje situam-se os bairros do Vilar dos Teles, Jardim Botânico e Jardim Íris.
Ficava na encosta do morro conhecido como Pau Branco. As terras da fazenda, hoje, estão cortadas pela Av. Comendador Telles, e a frente da fazenda é nas proximidades da Praça do Jardim Botânico.
Foi adquirida na década de 1810 pelo Comendador e pertencia a família dos Barboza. Existiu até as primeiras décadas do século XX, quando então, entrou em ruínas.

Carta de Meriti

Novembro de 1998

À
Associação dos Prefeitos da Baixada

Reuniram-se estudiosos durante onze sábados nos meses de agosto a novembro de 1998, no Centro Cultural Meritiense e com excursões aos sítios arqueológicos, cujo objetivo foi estudar a história da ocupação humana da Baixada Fluminense e por extensão todo o ecossistema que forma esta extensa planície de formação aluvionar e suas conseqüências no processo civilizatório.

A equipe que compõe a Comissão de Resgate da História, ao lado de professores, acadêmicos, geógrafos, antropólogos, bibliógrafos e autodidatas das ciências humanas, diante dos fatos por nós presenciados, revistos e debatidos, chegou à conclusão de que a Baixada Fluminense compõe uma das mais valiosas fontes para o entendimento da História do Brasil nestes 500 anos de pós-descobrimento.

Neste sentido é que nós enviamos este documento aos Excelentíssimos Senhores Prefeitos dos Municípios que compõem a Baixada Fluminense, na pessoa do Excelentíssimo Senhor Prefeito de São João de Meriti, Dr. Antônio Pereira Alves de Carvalho, anfitrião que nos acolheu durante esses meses, para que juntamente com seus colegas discutam e proponham uma solução de política pública em relação ao Patrimônio Histórico sediado em seu Município, pelas razões que passamos expor.

Considerando:
1. Que o Patrimônio Histórico e Cultural ao longo das décadas deste século foi destruído sem que houvesse interesse em preservá-lo;
2. Que as fontes da história, entre elas a escrita, a fotográfica, a arqueológica e a antropológica, vêm sofrendo um processo de destruição, sem que a elas tenhamos acesso, seja por falta de pesquisa, seja por falta de motivação, quer do Poder Público ou da iniciativa privada, já que é do Estado o dever constitucional de garantir o acesso e preservação;
3. Que as políticas públicas ao nível Federal, Estadual e Municipal, pouco têm feito no sentido de garantir o acesso ao pouco que restou;
4. Que o exercício pleno da democracia e da cidadania passa pela busca do conhecimento nos conteúdos da história, como já dizia o Romano Cícero "a História é a mestra da vida", ou que, aquele que não a conhece esta condenado a repeti-la;
5. Que não justifica tais entendimentos, haja vista ser a história uma ciência importante na formação de conteúdos para o adequado planejamento e desenvolvimento de projetos, numa Baixada que desponta como região promissora do Estado ao nível do crescimento urbano e econômico, para não dizer de decisão política.

Neste sentido propomos:
1. Que o conteúdo da História e da Geografia da Baixada seja incluído como matéria obrigatória nas Escolas de 1º Grau, possivelmente nas 4as, 5as e 6as séries;
2. Que se proceda em cada município ao levantamento histórico e patrimonial, dentro de um processo de tombamento e conservação;
3. Que seja criado em cada município Comissões com o objetivo de levantamento, tombamento e preservação do Patrimônio Histórico, incentivando a iniciativa privada a participar deste processo, visando desenvolver o turismo histórico na região.
4. Que seja criada na Secretaria de Desenvolvimento da Baixada um Departamento de Patrimônio Histórico com vistas ao Centro de Referência Histórica ou mesmo o Museu da Baixada, que seja dinâmico, capaz de produzir todo referencial de cidadania àqueles que aqui se fixaram ao longo dos séculos (Portugueses, Espanhóis, Italianos, Alemães, Judeus, Árabes, Sírios Libaneses, Japoneses e outros além de gente de todas as regiões do Brasil).
5. Que sejam feitas por cada Prefeitura campanhas de doações para formação do acervo histórico, nas suas diversas fontes. Assim também, campanhas educativas de preservação do Patrimônio Histórico nas Escolas e na Sociedade.

Dentro dos considerandos e propostas aqui elencadas, o grupo acima identificado e abaixo assinado coloca-se ao inteiro dispor das Prefeituras, para colaborar com os conhecimentos adquiridos tanto ao nível do curso como também da vida acadêmica, e a serviço da comunidade a que pertencemos, desenvolver um trabalho que possa ser útil à História e ao seu legado patrimonial, afinal estamos a serviço desta ciência que escolhemos como instrumento a serviço do homem como ser histórico.