Novembro de 1998
À
Associação dos Prefeitos da Baixada
Reuniram-se estudiosos durante onze sábados
nos meses de agosto a novembro de 1998, no Centro Cultural Meritiense
e com excursões aos sítios arqueológicos, cujo
objetivo foi estudar a história da ocupação
humana da Baixada Fluminense e por extensão todo o ecossistema
que forma esta extensa planície de formação
aluvionar e suas conseqüências no processo civilizatório.
A equipe que compõe a Comissão de
Resgate da História, ao lado de professores, acadêmicos,
geógrafos, antropólogos, bibliógrafos e autodidatas
das ciências humanas, diante dos fatos por nós presenciados,
revistos e debatidos, chegou à conclusão de que a
Baixada Fluminense compõe uma das mais valiosas fontes para
o entendimento da História do Brasil nestes 500 anos de pós-descobrimento.
Neste sentido é que nós enviamos
este documento aos Excelentíssimos Senhores Prefeitos dos
Municípios que compõem a Baixada Fluminense, na pessoa
do Excelentíssimo Senhor Prefeito de São João
de Meriti, Dr. Antônio Pereira Alves de Carvalho, anfitrião
que nos acolheu durante esses meses, para que juntamente com seus
colegas discutam e proponham uma solução de política
pública em relação ao Patrimônio Histórico
sediado em seu Município, pelas razões que passamos
expor.
Considerando:
1. Que o Patrimônio Histórico e Cultural ao longo das
décadas deste século foi destruído sem que
houvesse interesse em preservá-lo;
2. Que as fontes da história, entre elas a escrita, a fotográfica,
a arqueológica e a antropológica, vêm sofrendo
um processo de destruição, sem que a elas tenhamos
acesso, seja por falta de pesquisa, seja por falta de motivação,
quer do Poder Público ou da iniciativa privada, já
que é do Estado o dever constitucional de garantir o acesso
e preservação;
3. Que as políticas públicas ao nível Federal,
Estadual e Municipal, pouco têm feito no sentido de garantir
o acesso ao pouco que restou;
4. Que o exercício pleno da democracia e da cidadania passa
pela busca do conhecimento nos conteúdos da história,
como já dizia o Romano Cícero "a História
é a mestra da vida", ou que, aquele que não a
conhece esta condenado a repeti-la;
5. Que não justifica tais entendimentos, haja vista ser a
história uma ciência importante na formação
de conteúdos para o adequado planejamento e desenvolvimento
de projetos, numa Baixada que desponta como região promissora
do Estado ao nível do crescimento urbano e econômico,
para não dizer de decisão política.
Neste sentido propomos:
1. Que o conteúdo da História e da Geografia da Baixada
seja incluído como matéria obrigatória nas
Escolas de 1º Grau, possivelmente nas 4as, 5as e 6as séries;
2. Que se proceda em cada município ao levantamento histórico
e patrimonial, dentro de um processo de tombamento e conservação;
3. Que seja criado em cada município Comissões com
o objetivo de levantamento, tombamento e preservação
do Patrimônio Histórico, incentivando a iniciativa
privada a participar deste processo, visando desenvolver o turismo
histórico na região.
4. Que seja criada na Secretaria de Desenvolvimento da Baixada um
Departamento de Patrimônio Histórico com vistas ao
Centro de Referência Histórica ou mesmo o Museu da
Baixada, que seja dinâmico, capaz de produzir todo referencial
de cidadania àqueles que aqui se fixaram ao longo dos séculos
(Portugueses, Espanhóis, Italianos, Alemães, Judeus,
Árabes, Sírios Libaneses, Japoneses e outros além
de gente de todas as regiões do Brasil).
5. Que sejam feitas por cada Prefeitura campanhas de doações
para formação do acervo histórico, nas suas
diversas fontes. Assim também, campanhas educativas de preservação
do Patrimônio Histórico nas Escolas e na Sociedade.
Dentro dos considerandos e propostas aqui elencadas,
o grupo acima identificado e abaixo assinado coloca-se ao inteiro
dispor das Prefeituras, para colaborar com os conhecimentos adquiridos
tanto ao nível do curso como também da vida acadêmica,
e a serviço da comunidade a que pertencemos, desenvolver
um trabalho que possa ser útil à História e
ao seu legado patrimonial, afinal estamos a serviço desta
ciência que escolhemos como instrumento a serviço do
homem como ser histórico.