DISTRITO: Japeri (1.º e único distrito)
EMANCIPAÇÃO: Lei n.º1.902, de 02 de dezembro
de 1991.
INSTALAÇÃO: 01 de janeiro de 1993.
As terras onde se situa o município de
Japeri, antigo "Engenho de Pedro Dias", e, posteriormente
"Belém", faziam parte da grande sesmaria de quatro
léguas contíguas e contínuas existentes,
na freguesia da Sacra Família do Caminho Novo do Tinguá,
concedida a Inácio Dias Velho da Câmara Leme, filho
de Garcia Rodrigues Paes, que no início do século
XVIII, abriu, para com mais rapidez transportar o ouro das Gerais,
a via que ficou conhecida pelo nome "Caminho Novo".
Segundo José Matoso Maia Forte - In: "MEMÓRIAS
DA HISTÓRIA DE IGUAÇU", págs. 106/107
- por morte de Inácio Dias, na divisão das terras,
couberam aos seus netos Pedro Dias Macêdo Paes Leme, marquês
de São João Marcos, as situadas a oeste do rio Sant'Ana
e, ao marquês de Quixeramobim, as situadas a leste do mesmo
rio. O primeiro núcleo de povoamento na área formou-se
ao redor da capela dedicada ao culto de N.S.a de Belém
e Menino Deus, mandada edificar nas terras do seu engenho pelo
guarda-mor Pedro Dias Paes Leme, autorizado pela Provisão
de 08 de janeiro de 1762. Essa capela veio substituir uma outra
não mais existente na época, meia légua distante
e consagrada a São José. Com o correr dos anos aquele
pequeno núcleo rural, embora lentamente, desenvolveu-se,
transformando-se num modesto povoado após ali chegarem
os trilhos da Estrada de Ferro Dom Pedro II (RFFSA), cujo tráfego
e estação foram inaugurados em 08 de novembro de
1858. O governo provincial, para melhor atender à população
local, através da Lei n.º 1.707, de 30 de outubro
de 1872, ordenou a construção de uma escola para
instrução primária. Objetivando o governo
do Rio de Janeiro estender de Belém até a Estação
de Úba a via férrea, concedeu, em novembro de 1882,
a particulares, sua exploração, acarretando tal
concessão considerável melhoramento à localidade.
Contudo, jamais o desenvolvimento alcançado foi digno de
destaque e suficiente para induzir os habitantes da povoação
ao desejo de autonomia. Região acolhedora de uma população
carente e sofrida, oriunda, na maior parte, dos Estados do Nordeste,
mais se acentuou o fluxo migratório após os melhoramentos
introduzidos na malha rodoviária do país. A partir
daí, despontando-se o povoado como promissor núcleo
populacional do Município de Nova Iguaçu, isto motivou
fosse elevado, em 28 de abril de 1952, pela Lei n.º1.472,
da data, à condição de distrito, tendo-lhe
sido mudado o nome para Japeri. Com a erradicação
das lavouras cafeeiras no final da década de 60, o fluxo
migratório mais se acentuou, constituído de ex-colonos
vindo do sul do Espírito Santo, Norte Fluminense e Zona
da Mata de Minas que, na falta de trabalho naquelas regiões,
ali se fixaram em busca, na megalópole da Região
Centro, de melhores condições de vida. Com mais
de 100.000 habitantes, servindo de cidade-dormitório, onde
a média salarial gira em torno do mínimo, em plebiscito
realizado em 30 de junho do ano de 1991, manifestou-se o seu Colégio
Eleitoral pela autonomia, a qual veio através da Lei n.º1.902,
de 02 de dezembro de 1991, esperando que com administração
própria, uma vez instalada esta, possa a ordeira e sofrida
população do novo município contar, quando
menos, com saneamento básico, assistência médica
e educacional. A instalação da nova unidade municipal
verificou-se a 01 de janeiro de 1993, com solenidade altamente
concorrida e prestigiada pelas autoridades locais e dos municípios
vizinhos.
Transcrição do Livro "Municípios e Topônimos
Fluminenses: Histórico e Memória"
Publicação: Imprensa Oficial do Estado do Rio de
Janeiro.
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