HISTÓRIA
ANTÔNIO IZAIAS DA COSTA ABREU
Juiz e Historiador.
Paracambi    
  DISTRITOS:
Paracambi (Sede e Único)
EMANCIPAÇÃO:
Lei n.º 4.426, 08 de agosto de 1960.
INSTALAÇÃO:
13 de novembro de 1960.

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  Acervo: IPAHB    

O município nasceu da união dos distritos de Paracambi e Tairetá, o primeiro desmembrado de Itaguaí e o segundo de Vassouras, prevalecendo o nome "Paracambi" por ser, dos dois distritos, o mais antigo. A história de Paracambi tem sua origem no século XVIII, com a abertura do "Caminho Novo" - 1715 - por Garcia Rodrigues Paes; a fixação dos primeiros sesmeiros a partir dessa época deu início à efetiva colonização. O historiador Pedro Muniz de Aragão, no seu recomendado trabalho "RELAÇÃO DE ALGUMAS CARTAS DAS SESMARIAS CONCEDIDAS EM TERRITÓRIO DA CAPITANIA DO RIO DE JANEIRO - 1714/1800", pág. 28, indica, entre as primeiras, a concedida em 29 de agosto de 1750 a José Freire Pereira, no Ribeirão das Lajes. Outras, após, foram concedidas e a colonização foi assim se processando, inicialmente às margens do "Caminho Novo" e, posteriormente, sertão adentro, de modo que um século depois o assentamento do elemento humano mostra-se consideravelmente em toda a região. Os jesuítas, como grandes latifundiários estenderam os domínios da fazenda de Santa Cruz além do "Rio dos Macacos", ocupando a quase totalidade da área que compreende o município de Paracambi, imperando assim o domínio dos inacianos até o ano de 1759, quando foram expulsos do país e confiscados os seus bens pela Coroa Portuguesa, por ato do Marquês de Pombal, ministro de Dom José I. Mais tarde, é criada a Paróquia de São Pedro e São Paulo do Ribeirão das Lajes, pela Lei prov. n.º 77, de 29 de dezembro de 1836, e tudo leva a crer ter sido este o primeiro povoado na região do atual município. Com o tráfego na Estrada de Ferro Dom Pedro II (REFSA), em 1861, recebeu o povoado um surto de progresso, mais acentuado quando ali foram instaladas pouco depois as fábricas de tecidos de algodão pela Companhia Brasil Industrial e de dinamites pelo industrial francês Lepelletier, ambas tragicamente desaparecidas, a primeira, a 21 de dezembro de 1883, em razão de um incêndio provocado por raio; e a segunda, em novembro de 1886, em conseqüência de explosões deste estabelecimento fabril. Tamanho foi o desenvolvimento alcançado que despertou no seio dos seus habitantes o desejo de autonomia, não concretizada, porém, em face do movimento eclodido no país em 23 de novembro de 1891, cuja convulsão política levou o Marechal Deodoro da Fonseca à renúncia da Presidência da República e, pouco depois, a 11 de dezembro seguinte, à de Francisco Portela, do governo do estado. Em 1981, em virtude da Lei n.º 536, de 19 de dezembro, o distrito tomou o nome de Paracambi.
O distrito de Tairetá fora criado com sede no povoado de "Belém", pelo Decreto n.º 01, de 03 de junho de 1892. Em 1906, a Lei n.º 735, de 21 de setembro, transfere a sede do distrito, de Belém para o povoado de "Macacos", restabelecendo-a a Lei n.º 881, de 11 de setembro de 1911, o que permanece até 06 de novembro de 1919, quando a Lei n.º 1.619, desta data, transfere novamente a sede do distrito para a povoação de "Paracambi", passando o distrito a ter este nome. Finalmente, a Lei n.º 4.426, de 08 de agosto de 1960, desmembrou dos municípios de Itaguaí e Vassouras, respectivamente, os distritos de Paracambi e Tairetá, cujas terras passaram a construir o único distrito do município de Paracambi, criado pela referida Lei, e instalado em 16 de novembro de 1960, pelo Dr. Hyrton Xavier da Matta, atualmente um dos ilustres integrantes do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.


Transcrição do Livro "Municípios e Topônimos Fluminenses: Histórico e Memória"
Publicação: Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro.