O
município nasceu da união dos distritos de Paracambi e Tairetá,
o primeiro desmembrado de Itaguaí e o segundo de Vassouras, prevalecendo
o nome "Paracambi" por ser, dos dois distritos, o mais
antigo. A história de Paracambi tem sua origem no século XVIII,
com a abertura do "Caminho Novo" - 1715 - por Garcia Rodrigues
Paes; a fixação dos primeiros sesmeiros a partir dessa época deu
início à efetiva colonização. O historiador Pedro Muniz de Aragão,
no seu recomendado trabalho "RELAÇÃO DE ALGUMAS CARTAS DAS
SESMARIAS CONCEDIDAS EM TERRITÓRIO DA CAPITANIA DO RIO DE JANEIRO
- 1714/1800", pág. 28, indica, entre as primeiras, a concedida
em 29 de agosto de 1750 a José Freire Pereira, no Ribeirão das Lajes.
Outras, após, foram concedidas e a colonização foi assim se processando,
inicialmente às margens do "Caminho Novo" e, posteriormente,
sertão adentro, de modo que um século depois o assentamento do elemento
humano mostra-se consideravelmente em toda a região. Os jesuítas,
como grandes latifundiários estenderam os domínios da fazenda de
Santa Cruz além do "Rio dos Macacos", ocupando a quase
totalidade da área que compreende o município de Paracambi, imperando
assim o domínio dos inacianos até o ano de 1759, quando foram expulsos
do país e confiscados os seus bens pela Coroa Portuguesa, por ato
do Marquês de Pombal, ministro de Dom José I. Mais tarde, é criada
a Paróquia de São Pedro e São Paulo do Ribeirão das Lajes, pela
Lei prov. n.º 77, de 29 de dezembro de 1836, e tudo leva a crer
ter sido este o primeiro povoado na região do atual município. Com
o tráfego na Estrada de Ferro Dom Pedro II (REFSA), em 1861, recebeu
o povoado um surto de progresso, mais acentuado quando ali foram
instaladas pouco depois as fábricas de tecidos de algodão pela Companhia
Brasil Industrial e de dinamites pelo industrial francês Lepelletier,
ambas tragicamente desaparecidas, a primeira, a 21 de dezembro de
1883, em razão de um incêndio provocado por raio; e a segunda, em
novembro de 1886, em conseqüência de explosões deste estabelecimento
fabril. Tamanho foi o desenvolvimento alcançado que despertou no
seio dos seus habitantes o desejo de autonomia, não concretizada,
porém, em face do movimento eclodido no país em 23 de novembro de
1891, cuja convulsão política levou o Marechal Deodoro da Fonseca
à renúncia da Presidência da República e, pouco depois, a 11 de
dezembro seguinte, à de Francisco Portela, do governo do estado.
Em 1981, em virtude da Lei n.º 536, de 19 de dezembro, o distrito
tomou o nome de Paracambi.
O distrito de Tairetá fora criado com sede no povoado de "Belém",
pelo Decreto n.º 01, de 03 de junho de 1892. Em 1906, a Lei n.º
735, de 21 de setembro, transfere a sede do distrito, de Belém para
o povoado de "Macacos", restabelecendo-a a Lei n.º 881,
de 11 de setembro de 1911, o que permanece até 06 de novembro de
1919, quando a Lei n.º 1.619, desta data, transfere novamente a
sede do distrito para a povoação de "Paracambi", passando
o distrito a ter este nome. Finalmente, a Lei n.º 4.426, de 08 de
agosto de 1960, desmembrou dos municípios de Itaguaí e Vassouras,
respectivamente, os distritos de Paracambi e Tairetá, cujas terras
passaram a construir o único distrito do município de Paracambi,
criado pela referida Lei, e instalado em 16 de novembro de 1960,
pelo Dr. Hyrton Xavier da Matta, atualmente um dos ilustres integrantes
do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Transcrição do Livro "Municípios e Topônimos
Fluminenses: Histórico e Memória"
Publicação: Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro.
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