*Por Antonio Carlos Oliveira

Solano Trindade se estivesse vivo, completaria 100 anos em 2008, a oficialidade e a grande mídia ignoraram deliberadamente este fato, mas não era esperada outra atitude acerca de uma figura que sempre combateu as elites e governos opressores. Mas, felizmente o grande ‘Poeta do Povo’ não foi esquecido por aqueles que deram continuidade ao seu legado. As comemorações do Centenário foram marcadas por uma grande festa na cidade de Embu das Artes, no Teatro Popular Solano Trindade dirigido pela filha de Solano, Raquel Trindade.
A Biblioteca Comunitária Solano Trindade convidou a Angu TV!-CinemaAção para apresentar proposta de documentário à Comissão Organizadora do Centenário Solano Trindade do COMDEDINEPIR (Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e da Promoção Étnica e Igualdade Racial), sendo logo aceita, e as filmagens foram iniciadas na caravana de Duque de Caxias, para as comemorações do Centenário de Solano Trindade na cidade de Embu das Artes, cidade a qual mais se compromete na divulgação de sua obra e também onde vive maior parte da família de Solano.
O Vento Forte do Levante ainda está na etapa de produção, mas as filmagens deverão seguir até fevereiro, com previsão de estréia em maio, pegando uma “carona” nas comemorações da Abolição e do mês dos Trabalhadores. O filme não será um documentário clássico, onde tenha uma série de sucessivas entrevistas, mas uma posição ideológica acerca da figura de Solano Trindade e de sua ligação com a cidade de Duque de Caxias, explorando o máximo tanto da riqueza artística de Solano como alegoria política de sua obra. Um novidade são as poesias de Solano Trindade que foram transformadas em curtas. As entrevistas foram gravadas em Embu das Artes, em São Paulo, e teremos uma parte delas em Recife, servirão de locações para os curtas as cachoeiras de Caxias e Magé e os trens da Leopoldina, que não poderiam ficar de fora dando vida ao célebre “Tem gente com fome”.
A produção do Vento Forte do Levante está sendo dividida com a AnguTv!-CinemAção e a Biblioteca Comunitária Solano Trindade, sendo ainda uma produção independente, e estamos em via de captação de recursos.
*Antonio Carlos Oliveira é professor de história e fundador da Biblioteca Comunitária Solano Trindade, em Cangulo-Duque de Caxias
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