• Baixada Fluminense | 11/01/2026 - 12:03
Enviado por Euclides Amaral em

A autobiografia “REPPOLHO: Por Givaldo José dos Santos” (GJS Editora, 174 páginas, 2025), com capa do artista gráfico Rui de Carvalho, é mais uma incursão do autor na seara do registro à MPB contemporânea, tendo em vista ter estreado, em 2012, com um compêndio de pesquisa “Dicionário Ilustrado de Ritmos & Instrumentos de Percussão” (GJS Editora, 124 páginas), à época, aclamado por críticos acadêmicos da área musical como Ricardo Cravo Albin, Euclides Amaral e Fred Góes, além de seus pares musicais, Moraes Moreira, Jorge Mautner, Pepeu Gomes, Raphael Rabello, Alceu Valença e Paulo Moura, que contribuíram com prefácio, orelhas e comentários.
 

O livro em si compreende de um registro coloquial, cronologicamente alinhado. O autor repassa parte de sua vida relatando fatos presenciados entre as décadas 1970 e 2000, anos cruciais para a sedimentação da carreira de artistas da época dos Festivais, assim como de cantautores e intérpretes surgidos neste período. A importância deste volume é a soma de uma visão pessoal à história da MPB contemporânea, aumentando sobremaneira a literatura musical brasileira com esta perspectiva.

Este novo trabalho, do agora escritor sacramentado, pois já conta com dois livros editados, vem a corroborar a sua contribuição personalíssima à MPB, contudo, elucidando outras questões em relação ao seu discurso pessoal imbuído com perspectivas universais de repasse de tal conhecimento. De acordo com o próprio autor e biografado, Reppolho:

O Brasil tem uma cultura multirracial formada pelos povos originários, europeus, africanos e asiáticos. Desta mistura, resultou uma variedade de ritmos e instrumentos de percussão que foram sendo incorporados nas danças e na música que fazemos até hoje. Com o crescimento da música eletrônica no mercado brasileiro é necessário que haja um trabalho de conscientização e preservação da nossa cultura tradicional, sem deixar de acompanhar a evolução tecnológica. Por conta disso, é importante orientar os nossos jovens e adultos a caminharem juntos com o tradicional e o contemporâneo.”

O volume nos traz uma contribuição eficaz no quesito de novos fatos, e também da possibilidade de novas versões para casos e causos expostos em livros de outros autores, como nos demonstra o autor e biografado abaixo:

Esta autobiografia retrata toda a minha história de luta, encontros e desencontros que aconteceram durante a minha caminhada até aqui. Contada através de fatos ocorridos no decorrer da infância, adolescência, juventude e na carreira de músico percussionista. Sem mágoas, nem ressentimentos, apenas esclarecimento dos fatos. Nada além da verdade.”

Vale lembrar, como desfecho desta matéria, a contribuição singular de Reppolho à MPB como percussionista, compositor e cantor. 

Em 1979 apareceu no cenário artístico como percussionista, quando foi convidado a trabalhar com o pianista e compositor Johnny Alf, que viria a apresentá-lo à classe artística residente no Rio de Janeiro. Logo depois, passou a atuar como músico, não necessariamente nesta ordem, com Gilberto Gil, Alceu Valença, Elba Ramalho, Milton Nascimento, Robertinho Silva, Paulo Moura, Pepeu Gomes, Gal Costa, João Bosco, Moraes Moreira, Tim Maia, Baby do Brasil, Nana Caymmi, Carmem Costa, Wanderléia, Ednardo, Robertinho de Recife, As Frenéticas, Zezé Gonzaga, Blitz, Jorge Mautner, Elza Soares, Rita Ribeiro, Débora Blando e Orquestras Sinfônicas de Brasília, Vitória e Salvador. Ganhou um "Disco de Ouro" pela coautoria da composição "Unicamente” interpretada pela cantora e parceira Débora Blando. A faixa seria incluída na trilha da novela "A Indomada", da Rede Globo. Lançou vários discos solos, entre os quais “Tribal Tecnológico” (Gravadora Leblon Records), “Em perfeita vibração”, “Dialetos ao vivo”, “Zabumbeat” e “Batukantu” (Warner Chappel), alguns deles com participações especiais de Pepeu Gomes, Sandra de Sá, Paulo Moura, Raphael Rabello e Jurim Moreira, entre outros. 

 Reppolho está na estrada musical há muito tempo e vem colaborando com a sua criatividade em várias áreas da MPB, como por exemplo, os dois livros de sua autoria, que sedimentam conhecimentos latentes de sua parte, e que, necessitam serem espalhados e reconhecidos por mais pessoas.

 

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