06 de Julho de 2011 - 19:36

Banho humanizado estimula vínculo entre mãe e filho

Baixada Fácil

Banho humanizado estimula vínculo entre mãe e filho
Com o objetivo de diminuir o estresse causado ao bebê durante o nascimento e para promover o vínculo entre pais e filhos, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) vem investindo com sucesso no atendimento humanizado à parturiente. O serviço, pioneiro, de banho humanizado do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN), em Saracuruna, foi um dos temas selecionados para apresentação no VII Congresso Brasileiro e Internacional de Enfermagem Obstétrica e Neonatal (Cobeon), que será realizado nos dias 06, 07 e 08, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Segundo a coordenadora do Alojamento Conjunto e do Banco de Leite Humano do HEAPN, Carla Rocha, idealizadora do serviço que deu origem ao trabalho “Novas tecnologias de cuidado de enfermagem: o banho humanizado do recém-nascido no alojamento conjunto”, a intenção é apresentar um novo olhar para o cuidado do bebê no momento do banho.

“Sabemos que o nascimento é uma mudança tão extrema para o recém-nascido que, se ele pudesse, escolheria voltar para o útero da mãe. Por isso, na hora do banho tentamos simular o ambiente intra-uterino e proporcionar uma experiência agradável, de calma e tranquilidade, para o bebê”, explica Carla.

O cenário deste momento acolhedor são as dependências de uma área física toda reformada designada “sala de banho”, localizada no alojamento conjunto da maternidade do HEAPN, idealizada para garantir o silêncio, a intimidade e o acolhimento necessários nos primeiros dias do pós-parto. A sala é composta de pia com água morna, bancadas, balanças, banheiras acopladas aos berços, cueiros e toalhas e, inicialmente, as mães recebem o auxílio de enfermeiros e técnicos de enfermagem. No banho humanizado, a higienização acontece por etapas. Primeiramente, o recém-nascido é envolvido numa toalha macia vestindo apenas uma fralda e lava-se a face e a cabeça. Em seguida, o bebê é colocado de volta no berço para ser enxugado e tem a fralda retirada. Então, ele é envolvido novamente na toalha e seus pés são suavemente introduzidos na água. Aos poucos, vai sendo submergido por completo e a toalha é retirada.

“Podemos perceber neste momento que o bebê consegue relaxar e, por vezes, até dormir, além de desmistificarmos para as mães que o banho é um dos cuidados mais difíceis no início de vida do recém-nascido”, destaca a coordenadora.

No caso de bebês que apresentam algum tipo de dificuldade em adaptar-se ao meio extra-uterino, respondendo com choro excessivo, recusa para mamar ou que passaram por parto traumático, a unidade também oferece o banho terapêutico de “ofurô”, no qual o bebê é submergido em um baldinho próprio para este fim. O objetivo, segundo Carla, é proporcionar ao neonato o conforto que lembra a barriga da mãe, aliviando dores causadas pela dinâmica do parto ou até mesmo relacionadas a manipulações e procedimentos, tais como punção venosa e punção lombar.

“Nossa proposta é que o banho seja mais terapêutico do que simplesmente realizar uma higiene do recém-nascido. Esse é o momento de promover a interação mãe-filho, estimular a aproximação pele a pele, além de permitir e estimular a amamentação”, ressalta Carla Rocha.

Primeiros cuidados - Carla explica que a temperatura da água nos primeiros banhos do bebê deve ser ambiente e girar em torno de 36°. Deve-se utilizar sabonete neutro líquido em pouca quantidade, tanto no corpo quanto na cabeça. A enfermeira recomenda que o uso de lenço umedecido na troca de fraldas seja restrito a passeios e que em casa a higienização seja feita com algodão molhado com água morna filtrada. A limpeza do coto umbilical deve ser feita com gaze embebida em álcool 70% em cada troca de fraldas ou, no mínimo, três vezes ao dia. O objetivo é desidratar o coto umbilical até a sua queda que leva, em média, sete dias.

Parto humanizado
A Coordenação de Maternidades da Secretaria de Estado de Saúde vem trabalhando para disseminar a cultura do parto humanizado entre a população fluminense. Um exemplo da aplicação desse conceito pode ser comprovado no Hospital da Mulher Heloneida Studart, localizado em São João de Meriti. Para o coordenador de Maternidades da SES, Flávio Monteiro, a humanização do parto consiste em uma série de ações que visam atender as necessidades da gestante, incluindo aspectos fisiológicos, psicossociais e sociais. Em outras palavras, trata-se de respeitar as vontades da grávida com o mínimo possível de intervenções médicas.

“Nós só intervimos quando é solicitado ou estritamente necessário. Mas na maior parte do tempo a equipe está ali apenas para auxiliar”, esclarece ele.

A recém-inaugurada maternidade do Hospital Estadual Albert Schweitzer, em 14 de junho, também tem como grande diferencial o parto humanizado, cujas instalações possibilitam que a grávida permaneça no mesmo local desde o início do trabalho de parto e que alimente o filho logo após o nascimento, garantindo mais privacidade e menos tensão para a mulher.

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