Como deixar um relógio emocionado.
José Wilker. Editora Scritta. 231 p.
Como deixar um relógio emocionado é uma coletânea
de cinqüenta e seis crônicas e críticas de José
Wilker. O ator e diretor além de rememorar seus primeiros
contatos com a sétima arte, revela um painel da indústria
cultural e analisa a filmografia brasileira e mundial. Atores, diretores,
cenas,
takes e trilhas sonoras transpassam pelas lentes
do cronista, que oferece ao leitor as observações
de seu olhar atento sobre a arte cinematográfica, permitindo,
assim, que ele penetre na essência desta.
José Wilker utiliza-se da literatura não só
para falar como também para fazer cinema com as palavras.
A profusão de imagens escritas, interpostas na mescla de
ficção e realidade, provoca no leitor uma sensação
inusitada e inaugural, a de parecer estar lendo um filme. Crônica
e cinema enlaçam-se e assim, o autor vai fazendo sua escrita,
transformando o roteiro do cotidiano, em cenas saborosas, ávidas
para a leitura de seus espectadores.
As crônicas de
Como deixar um relógio emocionado
são um pequeno extrato da vida do autor, suas impressões
sobre a arte de representar, de encenar, de filmar, e, sobretudo,
sobre sua forma de olhar para a vida, que se assemelha à
essência do cinema. Nas palavras do autor: “...a percepção
fundamental para o cinema é perceber nas coisas, sons, cores
ou sombras, movimentos e associações, as histórias
que tudo isso tem guardado para o olhar atento de quem quiser ver.
As palavras e as frases do cinema devem ser buscadas em outras fontes,
não estão na ordem alfabética dos dicionários.
São relâmpagos que explodem vinte e quatro vezes por
segundo e, para o leitor, não exigem escola nenhuma para
decifrá-los. Tudo que se pede é um olhar constante
e generoso para a vida. Que se caminhe por uma rua cheia de sinais,
dramas ou comédias, rua de sonhos, aspirações,
desejos secretos. Na terra sem
the end.”
Como deixar um relógio emocionado são relâmpagos
de olhares de um ator generoso para a vida.
Leia
a entrevista de José
Wilker