04 de abril de 2019 - 19:57

Uma mulher pode ser o que quiser

*Verônica Ferreira

Uma mulher pode ser o que quiser

Dados do IBGE apontam que nos últimos seis anos mais de dois milhões de mulheres foram inseridas no mercado de trabalho. A nossa luta constante pela equidade entre os gêneros tem levado a figura feminina a cargos antes ocupados apenas por homens, mas o avanço é tímido e os desafios ainda são muito grandes. Todos os dias, seja no trabalho ou em casa, nós, mulheres, precisamos provar que somos capazes e que é necessário romper a barreira de que certas atividades são “coisas para homem”.


Muitos estereótipos enxugam o número de mulheres no mercado. Como operadora industrial, atuando em um setor ainda predominantemente masculino, vivo o dia a dia do trabalho rodeada por válvulas, reatores, compressores e torres de destilação. E ainda no século 21, muitos países ainda não aceitam mulheres nesta área e somos minoria na maior parte das empresas.


Os números do IBGE evidenciam uma mudança de paradigmas no mercado de trabalho, muito provavelmente por políticas de recursos humanos implantadas por grandes empresas, mas, mais do que gerar oportunidade de emprego para mulheres para engrossar pesquisas quantitativas, é preciso que as empresas tenham mais consciência sobre o papel da mulher no ambiente de trabalho.


Mesmo com uma taxa de ocupação um pouco maior, ainda somos as que ganham menos, na maioria das vezes ocupamos posições inferiores às dos homens e temos menos benefícios. No programa Empresa Cidadã, criado há mais de dez anos pelo governo federal para que empresas possam prorrogar a licença-maternidade em troca de dedução de impostos federais, por exemplo, apenas 12% das mais de 160 mil empresas que poderiam participar aderiram – as que declaram impostos sobre o lucro real.


Além da oportunidade de emprego, é preciso que as empresas criem programas para o desenvolvimento da carreira e que valorizem a diversidade e capacitação de populações historicamente minorizadas. Não falo somente das mulheres, mas da população negra, os LGBTQIA+s e as pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social. É necessário um esforço diário para que a inserção destas pessoas no mercado de trabalho também aumente de forma qualitativa.


Iniciativas como estas contribuem para aumentar a representatividade da figura feminina no mercado. É fundamental considerar que as diversidades enriquecem o ambiente de trabalho e o espírito de cooperação e união parecem ser muito mais presentes em lugares que valorizam as diferenças, independentemente dos estereótipos.


Acredito também que ainda deixaremos de ouvir frases do tipo ‘isso não é trabalho para você’ ou ‘você não vai durar um ano’. Se tem uma coisa que nós temos é persistência para lidar com as adversidades. Nós podemos estar onde nós quisermos, só precisamos de dedicação, o restante vem como resultado.


 


*Veronica Ferreira – em março deste ano se tornou a primeira mulher brasileira a ocupar a posição de responsável por Operação Industrial (ROI) na Braskem, maior petroquímica das Américas e líder mundial na produção de biopolímeros.


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