13 de março de 2019 - 22:22

Meditar para quê?

*Roberto Funger


A vida acelerada e corrida que levamos hoje afeta as nossas mentes. Estamos o tempo todo conectados, revirando as mídias sociais, atendendo demandas diversas em período muito curto no trabalho, na vida social e familiar. Sem que percebamos, esse bombardeio de informações gera uma sobrecarga em nossa mente, manifestada em déficit de atenção, irritabilidade, depressão, entre outros sintomas. Por isso, a mente precisa dispor de períodos, mesmo que curtos, para descansar, sair desse fluxo incessante de estímulo para um processo de regeneração, evitando doenças físicas e psíquicas.


Trabalho em uma empresa global do ramo petroquímico desde 2012. Em paralelo, sou professor de Yoga desde 2005. Ao longo dos anos, venho estudando e praticando o Yoga e a visão de Vedanta, filosofia por trás desta prática. Neste contexto, a meditação tem o propósito de preparar a mente para o autoconhecimento, mas no processo carrega diversos “efeitos colaterais” muito benéficos para corpo e mente. Considerando isto e a validação da companhia, montei grupos de meditação com colegas de trabalho como uma forma de criar um espaço onde as pessoas possam aliviar a mente das pressões, estímulos e demandas do dia a dia. É um programa voluntário, realizado em parte do horário reservado para o almoço. A ideia é que todos possam incorporar esse hábito à sua rotina diária meditando em casa.


Mas qual a utilidade de se parar a rotina para sentar em uma sala, fechar os olhos e meditar? A meditação oferece uma pausa dos estímulos sobre a mente de forma muito profunda, quando relaxamos, respiramos com consciência, demandamos a mente apenas por um pensamento que é o objeto da meditação. Não temos a pressão de não pensar o que agrediria a mente porque esta é a natureza dela: pensar. Solicitamos de forma compassiva que ela convirja os pensamentos para apenas um.


O processo da meditação exige o desenvolvimento de um estado de atenção porque precisamos perceber quando a mente se desvia do objeto escolhido para outros assuntos, essa percepção tem uma utilidade enorme no nosso dia, especialmente no ramo em que atuo. No trabalho nos é exigido atenção plena no que fazemos, é questão de segurança de cada um e de todo o processo.


Para enfatizar esta questão, montei uma palestra de Confiabilidade Humana na última SIPAT em Duque de Caxias, explicando a importância de cultivarmos uma mente meditativa, objetiva, capaz de manter o foco por mais tempo e perceber quando este foco se perde. O resultado foi bastante positivo entre os colegas, que têm entendido a meditação como canal para gerenciar o estresse, equilíbrio hormonal, melhorias na saúde física, emocional, psicológica. Além disso, este é um método com potencial de reduzir o risco de acidentes de trabalho e processos associados à falha humana, podendo ainda incrementar as relações humanas, criar ambientes saudáveis, empáticos, inovadores e criativos.


*Roberto Funger é engenheiro na Braskem, unidade de Duque de Caxias.


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