• Baixada Fluminense | 18/04/2026 - 07:01

Sambaqui do São Bento | Foto: Eduardo Ribeiro

Shirley Costa

Quem for visitar os habitantes humanos mais antigos das cercanias da Baia de Guanabara, que se tem registro, encontrará novidades, já a partir de outubro. O Sambaqui do São Bento, como é conhecido o sítio arqueológico descoberto em 2002 em Duque de Caxias, ganhará uma cobertura, que ajudará a preservar os esqueletos. Com isso, os fósseis, que estão envoltos em gesso, poderão ser vistos ao natural. 

A obra, no valor de R$ 100 mil, é fruto da aprovação de um projeto em edital lançado pela Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro em 2011. O espaço contará ainda com banners informativos e melhorias nas escadas.

Para um dos diretores do Museu Vivo do São Bento, Nielson Bezerra, as reformas têm sabor de mais uma batalha vencida. Ele relembra as dificuldades que precisou enfrentar, junto com os demais administradores, desde a identificação do Sambaqui. “Este terreno fazia parte de uma propriedade particular. O proprietário era muito solidário a nossa causa e nos permitia usar o espaço, mas ele precisou vender a área e daí tivemos que promover uma campanha na rede estadual e municipal de ensino, chamada ‘SOS Sambaqui’, para arrecadar dinheiro para a compra do lote”, conta o historiador.

O valor do terreno, R$ 11 mil, no entanto, é simbólico em comparação ao que os caxienses ganharam: a memória preservada de seus antepassados, que muito orgulha os moradores do São Bento, bairro que deu origem à cidade de Duque de Caxias. “Este espaço possibilita a apropriação da história pela população, que já chama os fósseis de ‘meus ancestrais’. Alguns moradores também, ao receberem visitas em suas casas, as trazem para conhecer o Sambaqui”, conta Nielson, que se empenha, com os demais historiadores, em uma nova empreitada: conseguir recursos para a construção de banheiros, com o intuito de receber melhor os visitantes.

Outra novidade, prevista para o próximo ano, será a transformação do Museu Vivo do São Bento em um complexo turístico cultural, com o apoio do BNDES. Com isso, além do orgulho, o museu proporcionará mais fontes de renda para a população, tendo em vista o aumento da movimentação de visitantes no local.

A integração do museu com a comunidade é defendida pelos historiadores. “O Museu está preocupado com o homem de hoje e não só com os sambaquianos. Conseguimos, por exemplo, aprovar duas creches para o bairro. Uma delas receberá o nome de Museu Vivo do São Bento”, disse uma das diretoras do museu, Marlúcia Santos.
 

“Primeiros caxienses” viveram há dois mil anos antes de Cristo
Quando a estudante Marcele Mandarino, do curso de História da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Duque de Caxias (Feuduc), descobriu, por acaso, um amontoado de conchas em um terreno no bairro São Bento, em 2002, os historiadores não imaginavam que poderiam encontrar esqueletos humanos tão antigos. Somente em 2010, os pesquisadores conseguiram autorização para realizar a escavação, como forma de compensação pelas obras do Arco Metropolitano. Através da técnica de datação por carbono-14, realizada pelo geólogo Wilson Leal Boiças, concluiu-se que os dois corpos, que seriam de um homem e uma criança, são de dois mil anos antes de Cristo. Os demais materiais encontrados durante a escavação, como restos de cerâmica e urnas funerárias, pertencentes aos Tupinambás (tribo de índios que habitaram a região), ainda estão em análise no Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB). Os historiadores responsáveis pelo Museu Vivo do São Bento têm planos de colocá-las em exposição no Sambaqui, quando este for ampliado e transformado em sítio-escola.

Curiosidade
A palavra sambaqui em tupi significa “amontoado de conchas". Os sambaquianos eram povos que habitavam o litoral do Brasil na Pré-História e tinham como hábito construir elevações, compostas principalmente por cascas de moluscos. Além de serem usadas como cemitério, essas montanhas de conchas poderiam servir também para demarcação de territórios, conforme acreditam os especialistas.

Serviço:
O Sambaqui do São Bento pode ser visitado de terça a sábado, das 9 às 17h. Os interessados em conhecer o local, acompanhados por um guia, podem agendar a visita através do telefone: (21) 2653-7681 (Fábio ou Sandra). A sede do Museu Vivo do São Bento fica na Rua Benjamin da Rocha Junior, s/n, bairro São Bento - 2º distrito de Duque de Caxias (altura do nº 9422, da Avenida Presidente Kennedy).
 

 

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