Apa de Guapimirim
Shirley Costa
Neste mês de junho, nós, editores do portal Baixada Fácil, Shirley e Eduardo, fizemos um passeio diferente pela Baixada Fluminense. Nos juntamos ao grupo da gestora ambiental Theresa Chaves, do setor de Educação Ambiental da Prefeitura de Guapimirim, e partimos para conhecer de perto a APA Guapi-Mirim, considerada o "Pantanal Fluminense". Não fomos surpreendidos por nenhum jacaré — apesar do local abrigar espécie desse réptil — ou cobra gigante. Mas a visita agrada dos mais aos menos aventureiros, graças à abundância de belezas naturais e ao conhecimento adquirido sobre esse cantinho ainda conservado da Baía de Guanabara.

Rio da APA de Guapi-Mirim | Foto: Eduardo Ribeiro
Criada em 1984, a Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim possui mais de 14 mil hectares e é a primeira unidade de conservação do Brasil. O território abrange parte dos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo. A área de proteção é resultado de um movimento ambientalista da sociedade civil organizada e da comunidade científica. Entre os principais objetivos estão a proteção dos remanescentes de manguezais no recôncavo da Baía de Guanabara e a defesa da permanência e sobrevivência de populações humanas que mantêm ainda características tradicionais no convívio com a natureza.
A semelhança com o Pantanal mato-grossense é logo percebida. Assim como essa região, a Apa possui rios caudalosos, extenso manguezal e diversidade de fauna e flora. Os rios mais famosos são o Caceribu, o Guaraí e o Guapirimim. A área abriga 171 espécies de aves, 15 de peixes, dezenas de mamíferos, anfíbios e répteis. Entre os animais ameaçados de extinção, que habitam a unidade de conservação, estão o jacaré-do-papo-amarelo e as aves biguatinga e marreca-caneleira.
No entanto, apesar dos esforços de conservação, o local ainda sofre várias ameaças ao seu ecossistema. Se antes da consolidação da APA, a área era alvo fácil de madeireiras e de caçadores ilegais, hoje, os maiores riscos vêm das grandes indústrias do entorno da Baía de Guanabara, como a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). “A Apa está no centro de várias unidades poluidoras, por isso fica muito vulnerável a vazamentos”, explica a bióloga da unidade, Andressa Pieroni.

Biguás no fundo da Baía de Guanabara | Foto: Eduardo Ribeiro
Em casos de danos ambientais, as empresas poluidoras recebem multas, que são convertidas em bens para as unidades de conservação, tanto para a APA Guapi-Mirim, como para a Estação Ecológica da Guanabara, área mais restrita, com dois mil hectares, localizada no interior da APA — as duas possuem gestão integrada.
Outro meio utilizado para o sucesso na conservação do lugar é a integração dos gestores e técnicos ambientais com os moradores. “Eles têm o conhecimento técnico e nós possuímos a experiência do dia a dia”, disse o barqueiro Malafaia. O pescador faz parte da cooperativa Manguezal Fluminense, e é autorizado a conduzir turistas e visitantes pelos rios da APA.

Pescador Malafaia | Foto: Eduardo Ribeiro
O pescador Russo, que também é autorizado a realizar passeios de barco pela unidade, conta que já trabalhou para madeireiras, mas que agora está "do outro lado". “O nosso conhecimento da região é muito importante para este ambiente. Hoje, me sinto bem em poder ajudar na conservação da APA”, comentou ele.

Manguezais da APA de Guapi-Mirim | Foto: Eduardo Ribeiro
Os interessados em conhecer de perto esse paraíso ecológico, que está a apenas 70 km do município do Rio de Janeiro, podem agendar uma visita por meio do telefone (21) 2633-0079. A entrada é gratuita. Já o passeio de barco pelos rios da APA custa em torno de R$300 e a embarcação comporta até quatro pessoas. Neste caso, o agendamento deve ser feito pelos telefones: (21) 98332-7734 (Malafaia) ou (21) 98836-9841 (Russo).
A APA Guapi-Mirim tem como chefe o biólogo Mauricio Barbosa Muniz. Já o responsável pela Estação Ecológica Guanabara é Klinton Vieira Senra. O endereço é BR 493, Km 12,8, Vale das Pedrinhas - Guapimirim - RJ.

APA Guapi-Mirim | Foto: Eduardo Ribeiro

Colhereiro | Foto: Eduardo Ribeiro