• Baixada Fluminense | 16/04/2026 - 19:16
Enviado por Demétrio Sena em

Feliz de Quem se Permite

Demétrio Sena - Magé 

Você seria capaz de respeitar uma pessoa dentro de um contexto improvável? Darei uns exemplos: é capaz de conversar sobre mil besteiras, fazer confidências íntimas com uma pessoa de qualquer sexo e gênero, sem confundir as coisas? Conversaria inteiramente nu (ou nua) com essa pessoa talvez também inteiramente nua, sem desejar transar com ela nem achar que ela quer transar com você? Teria um segredo com alguém, sem nunca passar pela sua cabeça utilizar esse segredo para chantagear e obter favores íntimos? 

Ou você só respeita no óbvio? Só confia no que todos confiam? Só leva a sério quem nunca destranca o rosto, jamais é despudorado nem se permite uma boa conversa chula, uma risada marota e um gesto sem filtro? Infeliz de quem só convive formalmente; só confia porque está tudo na ordem natural das coisas. Só respeita porque o ambiente, a indumentária e os rótulos estão ali, vigilantes e cheios de avisos sociais, visíveis ou não. Pobre de quem não se permite nem tem com quem confidenciar de forma livre, leve, transparente, na certeza de que o outro jamais romperia uma linha não estabelecida ou tentaria subverter o não consensual. 

O mundo é de amizades sem graça, pela certeza de que o outro não entenderia uma espontaneidade, uma ousadia não abusiva, um despudor sem pretensões... e porque essa certeza está quase sempre com razão, pois as intenções normalmente são ocultas; os corações fechados; as índoles duvidosas. Feliz de quem pode contar com alguém para ter, de vez em quando, com quem dividir uma sociedade alternativa; um mundo particular... momentos breves, que sejam, fora da hipócrita, velha e chata ordem social.

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Respeite autorias. É lei

 

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