O efeito Bethânia e Caetano
Demétrio Sena - Magé
Maria Bethânia e Caetano Veloso acabam ganhar o Grammy de melhor álbum de música global. Como aconteceu recentemente com Fernanda Torres e mais recentemente ainda com Wagner Moura, premiados internacionalmente por suas atuações em filmes, as ofensas começaram a vir lá do redil bolsonarista. Isso não surpreende nem deveria surpreender.
A arte sempre ofendeu os encabrestados. Falas como "Com o nosso dinheiro", "Lei Rouanet", "mamando no governo"... e por aí vai, têm sempre o mesmo tom. As mesma regência. Não conseguem entender que tudo no mundo requer verba. Existe verba para Educação, Ciência, Esportes, Agricultura, Cultura etc. Mas as verbas e os incentivos para cultura ofendem mais, porque a cultura, em todas as suas formas e vertentes provoca e fomenta o pensamento crítico. Ofende às elites da direita, porque as desmascara. Também ofende os pobres fanáticos da direita, porque esses não pensam. Só são usados por seus donos ideológicos e têm a frustração de não conseguirem pensar por conta própria; por isto, seus discursos são todos parecidos; uniforme. Não dizem nada que não seja decorado, exatamente como decoraram.
O que mais confunde e revolta os do redil, que é a Lei Rouanet (que não contempla filmes longas-metragens, os mais odiados), funciona da seguinte forma: O artista apresenta o projeto, e se o governo aprovar, é o artista que vai de porta em porta, buscar patrocínio dos empresários, que terão incentivos fiscais mínimos (diante das possibilidades reais de sonegação dos empresários que, por isso, não acham interessante apoiar), em troca. Não é a moleza que essa multidão confusa pensa e alardeia, sem nenhum dos indivíduos dizer, em nenhuma ocasião, algo diferente.
Cultura gera renda direta e indireta, impostos, fluxo de moeda, e é identidade, a alma de um povo. Fomentação do pensamento crítico, da reflexão e da sensibilidade necessárias para suportarmos a brutalidade própria do mundo. As artes e a literatura, por meio do cinema, da boa música, da poesia e de todas as outras boas manifestações culturais tornam o mundo melhor, ou menos pior. A contradição do redil está justamente no fato de amarem os shows duvidosos de seus artistas prediletos. Todos descartáveis e de mau gosto, que levam milhões das prefeituras de suas cidades e assinam contratos superfaturados, de rachadinhas que atendem à gulodice financeira dos poderes locais. Valores, mesmo, só os financeiros. Nenhuma substância.
Maria Bethânia e Caetano Veloso são representantes legítimos da boa música. Da arte que atravessa o tempo e oferece a verdadeira riqueza cultural de que um povo precisa. Investir nas artes, na litetatura e seus representantes, famosos ou não, é investir sobretudo na saúde mental, intelectual, psíquica, identitária e cultural de um povo. Apenas o redil não entende isso.
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Respeite autorias. É lei