Aprendizado
Demétrio Sena - Magé
Jamais me permiti afirmar que me torno uma pessoa melhor a cada dia. Se isso fosse verdade, não teria chegado aos sessenta e cinco anos sem duas belas e fartas asas, além de uma auréola de fazer inveja aos supostos anjos de luz. A maturidade me burilou, sim, em muitos aspectos do meu temperamento e das minhas formas de me comportar. Adquiri algumas qualidades. Mas não tenho como negar que, por outro lado, surgiram defeitos que eu não tinha. Ou tinha, mas estavam guardados da estufa do meu ser.
Tenho novos caprichos e manias que muitas vezes achei imperdoáveis em outras pessoas. Deixei de considerar errados, alguns desvios de conduta que agora justifico explicando as marcas do tempo, as injustiças do mundo e os castigos da vida impostos a mim. Posso até me considerar um pouquinho mais suportável do que na minha juventude, mas dizer que sou alguém muito melhor ou que ainda melhoro a cada dia, não condiz com a verdade. Quem dera que com o passar dos anos o ser humano realmente se aperfeiçoasse como tal.
Isso não quer dizer que a busca do aperfeiçoamento pessoal não deva ser uma prática diária. Já pensou se, ao invés de melhorarmos um pouco aqui, piorarmos um pouquinho acolá, só piorássemos? Acumulássemos desvios e mais desvios? Ou simplesmente parássemos, expostos à oxidação acelerada? No fim, mesmo não nos tornando anjos de luz, a maturidade auxilia para nos tornarmos menos inconsequentes e letais, com o que aprendemos, apesar das infiltrações. O que precisamos é aprender a aprender com tudo.
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Respeite autorias. É lei