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Enviado por Demétrio Sena em

O "Poder" da Oração

Demétrio Sena - Magé

Tão logo aquela casa se tornou um centro de umbanda, naquela rua comercial com com um bar de karaokê e dois templos evangélicos pentecostais entre tantos outros movimentos (e barulhos), a coisa ficou feia: os evangélicos do lugar surtaram como nunca, e passaram a orar fervorosamente para que "Deus" afastasse o "inimigo de nossas almas" dali.

Não apenas oraram: oraram e atiraram pedras na casa. Não apenas oraram e atiraram pedras: oraram, atiraram pedras e fizeram ameaças terríveis, diariamente. Não apenas oraram, atiraram pedras e fizeram ameaças terríveis: oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis e caluniaram na polícia. Não apenas oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis e caluniaram na polícia: oraram, atiraram pedras, fizeram ameaças terríveis, caluniaram na polícia e montaram vigílias à porta da casa, com hinos tensos, orações agressivas e xingamentos.

Quando aquelas pessoas ordeiras e pacíficas (que jamais esboçaram qualquer vingança ou revide) resolveram desistir do centro de umbanda, houve uma diabólica festa gospel: os reais inimigos de almas gritaram louvores, "falaram línguas", fizeram "sinais de arminhas" e agradeceram a... digamos; "Deus", por ter atendido às suas... digamos; "orações".
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