Honestidades Marmóreas
Demétrio Sena - Magé
Pode-se dizer da grande maioria, que o ser humano é desonesto; com variações de intensidade e tipo. Mas as pessoas honestas, também em grande maioria, são egoístas, mesquinhas e gananciosas. Estão sempre na linha exata, restrita e intransigente da honestidade. O que é seu é seu; e ponto. Não cedem um milímetro do seu direito, seja qual for a necessidade ou até o perigo do outro, em questões que não mudariam em nada suas realidades pessoais permanentes ou momentâneas.
A honestidade fria e cruel desses indivíduos, geralmente conservadores, moralistas e cristãos, é pétrea em relação à lei, mas desconhece a graça do perdão, da empatia e da solidariedade. São aquelas pessoas que escravizavam, quando a lei permitia; que prejudicam a qualquer um, quando se acham legitimadas. Desejam o retorno da ditadura, só para se associarem ao poder público e ajudarem a levar cidadãos opostos ao pau-de-arara, como a lei determinaria que os "cidadãos de bem" fizessem. Os honestos de mármore são capazes de assistir à morte por fome, de um vizinho, porque a lei não o obriga a fazer algo. De abandonar uma filha/um filho à própria sorte, por ele ou ela já ter chegado à idade adulta, e com isso, a responsabilidade paterna ou materna já não ser obrigatória.
Faltar com a ética e a humanidade não é problema para quem segue à risca sua honestidade sem afeto; seu legalismo duro e sem consciência social. Tomar a vaga do próximo... entregar um colega de trabalho para obter benefício... ficar com a maior fatia de tudo e obter privilégios que prejudicam o outro (...) nada pesa na consciência de quem arrota honestidade blindada e, a qualquer custo, garante ou protege o seu direito... ainda que o seu direito seja torto; questionável; de má fé.
... ... ...
Respeite autorias. É lei